Manuel Godinho discutia nomeações para administração da Refer

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O empresário das sucatas Manuel Godinho, principal arguido no processo ‘Face Oculta‘, discutia nomeações para o conselho de administração da Refer com quadros da empresa pública responsável pela gestão da rede de infraestruturas ferroviárias do país.

Durante a 32.ª sessão do julgamento, que decorreu ontem no tribunal de Aveiro, foram ouvidas várias escutas de conversas telefónicas entre o sucateiro e os ex-quadros da Refer João Valente, José Valentim e Manuel Guiomar, coarguidos no processo, sobre a sucessão de Fernando Silva, que, na altura, estaria de saída do conselho de administração da empresa.

Numa dessas conversas, João Valente, então diretor do Departamento de Logística da Refer, diz a Manuel Godinho que seria do interesse do empresário a substituição de Fernando Silva por alguém que tivesse “outra postura”.

Nestas conversas é também falado o nome de João Silva, outro quadro da Refer que foi ouvido hoje de manhã no tribunal, enquanto testemunha de acusação.

O então diretor da área de aprovisionamento e logística, que mais tarde passou para a direção de conservação, não soube explicar porque motivo o seu nome surgiu nestas conversas.

Questionado pelo procurador do Ministério Público sobre se teria recebido alguma prenda de Manuel Godinho no Natal, João Silva admitiu que era provável.

“Isso não é nenhuma tentativa de comprar alguém. Sempre encarei isso como normal”, afirmou.

Da parte da tarde, o coletivo de juízes ouviu Mário Neto que trabalhou na Refer como responsável pela área da geotecnia e mais tarde foi diretor do eixo Beiras.

Este geólogo, atualmente na reforma, contou que aprovou a proposta com os preços apresentados pela SEF, de Manuel Godinho, relativamente aos trabalhos para a desobstrução da via e reforço de barreiras/taludes a realizar na linha do Douro, após as intempéries do ano 2000.

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