Dificuldades financeiras levam alunos a anular matrículas no Politécnico da Guarda

Cerca de 110 alunos do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) anularam a matrícula por “dificuldades financeiras” e alguns estudantes estão a ter dificuldades na alimentação diária, disse à agência Lusa fonte da instituição.

Segundo Jorge Mendes, Provedor do Estudante do IPG, do total de 110 alunos que anularam as matrículas entre o início do ano letivo e princípios do mês de janeiro de 2012, “há uma grande probabilidade de 90 a 95 por cento” o terem feito “por grandes dificuldades financeiras”.

O Provedor adiantou que lhe têm chegado “muitas situações preocupantes de alunos que têm muitas dificuldades em pagar as propinas”.

Para evitar que mais estudantes desistam dos estudos, Jorge Mendes tem conseguido, em colaboração com o presidente do IPG, Constantino Rei, que paguem as propinas em várias prestações, em vez de o fazerem em três tranches anuais, como está estipulado.

Contou que, em alguns casos, a negociação envolveu o pagamento dos valores da propina em “onze meses”.

O responsável tem ainda conhecimento de estudantes que, por carências financeiras, estão a ter dificuldades na sua alimentação diária.

“Alguns alunos vão à cantina uma única vez [por dia] e alguns já nem à cantina vão, porque alimentam-se com alguma coisa que trazem de casa [dos pais]”, relatou.

Justificou que a situação deve-se à atual crise económica que atinge o país e também ao facto de “muitos alunos” do IPG deixarem de ter direito à bolsa mínima, devido a alterações nas regras para o seu pagamento.

Segundo Jorge Mendes, alguns estudantes com dificuldades económicas estão a ser apoiados através dos serviços de ação social do IPG, da Associação Académica da Guarda e “até por particulares”.

O Provedor do Estudante, que durante vários anos assumiu as funções de presidente do IPG, teme que a situação se agudize e que, em breve, não seja possível acorrer a todos os casos de alunos em dificuldade.

Disse estar “muito preocupado” com a situação, “porque as dificuldades traduzem-se em insucesso escolar e em questões da vida pessoal” dos estudantes, que apresentam “crises depressivas e problemas de saúde”, ficando “alterados no seu comportamento e mais tristes”.

Jorge Mendes adiantou à Lusa que os casos detetados no IPG foram reportados à presidência da instituição e ao Ministério da Educação e Ciência.

O IPG iniciou o ano letivo 2011/2012 com cerca de 3.900 alunos, dispersos pelas suas quatro escolas superiores: Tecnologia e Gestão, Educação, Comunicação e Desporto, Saúde e Hotelaria e Turismo.

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