Tudo às avessas

Aires Antunes Diniz

Escrevo este texto quando a Europa sofre uma vaga de frio, que se junta à desajustada política económica e financeira europeia, orquestrada por Frau Merkel, que parece ter calado Monsieur Sarkosi.

Assim enquanto sopra o vento frio, trabalho numa biblioteca algo fria, verificando que as gralhas, os erros tipográficos, muitas vezes alegram o ambiente como vejo num jornal algarvio de 1932: “Esta, deve a sua única existência, aos nunca assaz celebrados compositores do «Diário de Coimbra» e ao respectivo revisor que, nesse dia, se devia sentir romântico em último grau. E foi assim: escrevera -; sinfonia de harmonia, e o tipógrafo compôs: sombra das bananeiras. Só faltaram os periquitos e os sabiás para a paisagem ficar completa.

Infelizmente, agora, já não temos sombra das bananeiras, nem sequer sinfonias de harmonia, só temos umas mudanças desconchavadas de tecnologia como é a TDT, algo que todos receiam. Mas, era habitual todos desejarem a mudança. Entretanto, a PT espera que todos invistam na mudança, mesmo os velhotes com reformas miseráveis, e ela possa embolsar mais uns milhões à custa deles.

Tal como outras empresas espera que o seu poder monopolista e o silêncio das suas respostas, criem a sinfonia da harmonia que desejam e precisam perante as suas continuadas falhas. Para justificar tudo, os gestores destas empresas até dizem que o salário que recebem é o seu valor de mercado. Mas, pelo mau serviço que prestam, verificamos que o mercado mais uma vez falhou.

De facto, só o poder de monopólio económico e político que gozam justifica os preços que nos fazem pagar e os retrocessos civilizacionais que nos estão a impor.

Dá-nos exemplo melhor, o Alberto João Jardim, da Madeira que resistiu até onde pôde. Já não é exemplo o Proença da UGT, que fez o favor à troika de assinar um “acordo” depois de este governo ter desistido da redução da Taxa Social Única, da meia hora adicional por dia e de mais coisas que não sabemos.

Entretanto, o governo assiste, como se não fosse nada com ele, ao crescimento do desemprego e, até agora, só teve uma resposta: emigrem. Contudo, todos os dias, assistimos a mortes solitárias tanto nos campos como nas cidades, mostrando como o tecido social está a romper-se e a precisar de uma nova ordem solidária, que afaste de nós este modelo social, já que nos isola dos nossos concidadãos e nos torna todos mais fracos e vulneráveis.

De facto, a Europa neo-liberal, que pregou a emigração das indústrias e o abandono dos campos, está a mostrar as suas falhas, que não são simples erros ou defeitos, são o feitio indesejável de um “fato” imposto, que não nos protege nem do frio nem do desemprego. Só nos fragiliza e adoece.

E isso obriga-nos a pedir a Mudança Política.

1 – Diário do Algarve, ano 1, nº. 34, 11 de Novembro de 1932, p. 2, coluna 1.

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