Tradição dos caretos cumpre-se no Carnaval de Lazarim

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A decisão do Governo de não conceder tolerância de ponto no Carnaval não vai impedir que a tradição seja cumprida em Lazarim, no concelho de Lamego, mas a organização prevê uma redução muito significativa de visitantes à aldeia.

“O nosso Carnaval vive sobretudo à custa das pessoas que vêm de vários pontos do país e mesmo do estrangeiro. Mais de 70 por cento das pessoas são de fora”, contou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Lazarim, Norberto Carvalho.

A pequena aldeia do Norte do distrito de Viseu é conhecida pelos caretos – máscaras tradicionais esculpidas pelas mãos de artesãos locais em madeira de amieiro – que saem à rua nesta altura do ano.

Norberto Carvalho admitiu que este ano o Carnaval “vai ser muito penalizado pelo facto de não haver tolerância de ponto”, mas explicou que “já estava tudo encaminhado para se cumprir o programa” habitual.

“Há muita gente natural da região mas que está a viver fora, em Lisboa, no Porto e noutras cidades, que aproveitava para estar estes dias junto da família. Agora essas pessoas já não vão poder fazer isso”, lamentou.

Apesar dos receios, o programa vai cumprir-se, tendo como pontos altos um desfile etnográfico no domingo e a leitura pública dos testamentos e a queima da comadre e do compadre na terça-feira. No fim, há caldo de farinha e feijoada (dois pratos típicos da região) grátis para todos, oferecidos pela população, que se divide pelo bairro da Vila e do Padrão. Mais a Sul, em Cabanas de Viriato, no concelho de Carregal do Sal, as previsões são mais otimistas.

“O facto de o Governo não dar tolerância pode afectar-nos, mas apenas ligeiramente, porque as pessoas que querem vir ao Carnaval vêm na mesma”, disse, convicto, Fernando Campos, da Associação do Carnaval de Cabanas de Viriato.

O responsável lembrou que, em Cabanas de Viriato, a tradição da “Dança dos Cus” se cumpre também na segunda-feira à tarde e, mesmo neste dia, as pessoas comparecem. “Acredito que as pessoas que costumam vir, virão na mesma. Ainda hoje fui contactado por uma senhora que disse que tinha uma excursão marcada para cá”, contou.

Em Cabanas de Viriato, o Carnaval vive-se de uma forma peculiar: ao som da valsa, alinhados em duas filas, os foliões vão dançando pelas ruas da vila, batendo com os traseiros nos dos vizinhos do lado quando há uma variação do ritmo. No domingo, são os mais pequenos que protagonizam a dança e, na segunda e terça-feira os adultos.

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