“O Estado tem atrapalhado imenso a Universidade de Coimbra”

Foto Gonçalo Manuel Martins

Foi eleito a 14 de fevereiro de 2011. Que balanço faz deste primeiro ano de mandato?

Este ano foi muito determinado por uma noção que não existia no ano em que eu me candidatei, que é a noção de “troika” e isso tem levado a imensas reorganizações internas. Neste momento, já consigo dizer com segurança – a menos que haja um cataclismo imprevisto –, que vamos conseguir funcionar no ano de 2012 sem percalços exagerados. Em 2010, recebemos do Orçamento de Estado (OE) 91 milhões de euros. Este ano vamos receber 63 milhões. É uma diminuição enorme, brutal do financiamento. É claro que parte disto resulta dos cortes nos vencimentos (subsídios de Natal, de férias, os cortes no vencimento do ano passado…) Mas, seja como for, passar de 90 para 60 milhões, ou seja, um corte de um terço em dois anos, é brutal. Aliás, se todos os setores do Estado português tivessem uma diminuição tão marcada de transferência de OE como as universidades portuguesas, já não havia défice público. E não só não havia défice público, como havia superavit capaz de começar a pagar os empréstimos. Muitas pessoas não têm a noção, mas todo este esforço com a “troika” é apenas para pagar os juros dos empréstimos. Mas não deixa de ser tristemente interessante verificar que um setor que é tão decisivo para o desenvolvimento do país, como o ensino superior, seja um setor tão duramente atingido pelos cortes. Eu não sei se haverá muitos setores que tenham um corte de 30 por cento em apenas dois anos. Ora, sobreviver em condições boas a uma diminuição de financiamento desta forma, tem sido a minha principal tarefa

Se as eleições fossem hoje voltaria a candidatar-se?

Nem tento fazer desses cenários porque a realidade é o que é e … Teria que pensar.

Pensava duas vezes, então?

Não fiz esse exercício, mas seguramente que a reflexão que me levou a concorrer seria neste momento muito diferente porque as condições alteraram-se de forma muito, muito grande…

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