O drama do PS

Luís Santarino

Não é segredo que o Partido Socialista assinou um acordo de ajuda financeira. Também não é segredo, agora, que o atual Secretário-Geral se diz longe desse acordo embora o tenha votado.

O Partido Socialista está a viver um drama terrível, fruto da abstenção do Orçamento Geral de Estado.

Eu defendi – talvez tenha sido o único – que o PS deveria ter votado a favor. Não o votar a qualquer preço, mas devidamente negociado tanto com o Governo como com o Presidente da República. Só que há sempre alguém que gosta de estar emparedado!

Percebo essa estratégia. Não me admirava nada de onde eu suponho que tenha vindo, fruto de uma tentativa, conseguida, de amarrar António José Seguro. Este, inexperiente e sobretudo voluntarista, não consegue motivar e estimular os portugueses.

Hoje, o Partido Socialista parece não existir. Está completamente isolado da sociedade portuguesa, vivendo de e para os seus militantes, como se estes bastassem para vencer eleições. Tudo é organizado para consumo interno. Triste e lamentável!

Lamento profundamente a incapacidade dos dirigentes nacionais e alguns locais, ao não conseguirem olhar para “além do muro”!

O Governo vai cometendo erros que, em outra altura, seriam fatais. Mas a verdade é que os cidadãos pensam, não sei se bem se mal que, esta será a última hipótese para salvar o sistema da falência!

O PCP e a CGTP já prometem mais greves e mais lutas sindicais, dando de barato se o País consegue ou não viver ou sobreviver. O que lhes interessa é não desiludir e manter ativa a sua base social de apoio, seja ou não à custa do sacrifício de outros milhares que nada têm a ver com lógicas partidárias ou sindicais.

O PS vai “ficar nas covas”! Não pode estar ao lado do Governo porque tem a ambição de lá chegar já em 2015, nem ao lado do PCP e BE, porque seria imediatamente trucidado pelos seus próprios militantes.

Isolado na sociedade portuguesa, vai fazendo declarações no mínimo patéticas, com o beneplácito de dirigentes cuja responsabilidade ultrapassa de largo a direção nacional.

É confrangedora a forma como se apresenta aos cidadãos. De tal forma que, a seguir à sua Comissão Nacional, nenhum jornal diário fez manchete ou chamada importante de primeira página.

Assim sendo, não estando ativo na vida política portuguesa pelas melhores razões, poder-se-á dizer que estará a caminho de algo indefinido.

Portugal e os portugueses estavam à espera de um pós-Sócrates mais forte e determinado, sobretudo na defesa de valores e princípios, assumindo os seus erros, mas não sendo os “principais acusadores”!

É preciso ser diferente. É preciso tentar ser melhor. Já percebemos que não conseguem, nem ser melhores nem diferentes!

Vai ser preciso mudar tudo. Rapidamente. Para que, quando olhar para trás, ainda se vislumbrarem uns resistentes…daqueles que mais depressa partem do que dobram!

One Comment

  1. Caro shushialista Santarino, li com agrado este teu desabafo, aliás como tenho-os lido desde algum tempo e, verifico q estás mais certinho, já pões os pontos nos ii, já abriste a pestana e vês os lobos q te rodeiam e que não tardarão a debandar.
    Sei que és "ferrenho" e admiro-te por isso só lamentando que, ao longo destes 38 anos te limitasses a roer uns ossitos enquanto q outros muito depois de ti se tenham banqueado com lautos banquetes.
    Sê firme, bate sem dó, não tenhas medo pois já nada tens a perder, estás a ficar "velho" e cançado e só te resta a reformazita sem mais qualquer indeminização, mas ainda tens amigos fora dessas lides.
    cordial abraço

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