Manifestação nas ruas de Coimbra pelo direito à mobilidade

Foto Gonçalo Manuel Martins

Três dezenas de cidadãos manifestaram-se esta tarde pelas ruas de Coimbra em defesa do direito à mobilidade, contestando o Governo pelas privatizações e aumento dos transportes, e prometeram nova ação de luta no próximo dia 29.

“Quisemos mostrar a nossa absoluta indignação por tudo o que se está a passar no país, e contra a apatia das pessoas”, declarou à agência Lusa Ana Varela, uma das manifestantes mais ativas.

Aproveitando a passagem pelas ruas para incentivar as pessoas ao protesto, salientou que “há que vir para a rua”, e “perder o medo”.

Num documento que Ana Varela leu na estação ferroviária de Coimbra, os manifestantes contestam o aumento crescente dos passes e das viagens nos transportes públicos, quer na região, quer a nível nacional.

“Os novos aumentos e a extinção de horários, carreiras, ligações ferroviárias e passes sociais são mais uma machadada deste (des)governo ‘troikista’, a juntar aos cortes nos salários, pensões e subsídios, aos aumentos descarados do IVA e das taxas ‘moderadoras’ na saúde, à extinção das SCUT, etc…”, acentuam.

Para os manifestantes, “a mobilidade não é um luxo ou um capricho, é um direito básico das populações” e “a deterioração desse direito é mais um passo no sentido do retrocesso social e do agravamento das desigualdades, pois dificulta ainda mais a interação entre as pessoas e o acesso a praticamente tudo, desde o trabalho à cultura e ao lazer”.

No plenário de utentes dos serviços públicos de transportes, aprovaram uma carta aberta a remeter ao ministro da Economia, onde advertem que “o direito à mobilidade não pode ser só acessível às classes ricas”.

A manifestação começou com uma concentração na Praça 8 de Maio, junto aos Paços do Município, e seguiu depois pela Baixa até à estação ferroviária de Coimbra.

Nas imediações daquela estação aproveitaram a chegada e partida dos autocarros de transporte alternativo para o desativado ramal ferroviário da Lousã para sensibilizar os utentes, com cartazes e palavras de ordem.

“Porque esta dívida é do patrão, queremos dinheiro para transportes e educação”, “é fome e miséria, FMI fora daqui” e “não pagamos, basta de roubo” foram algumas das palavras de ordem utilizadas durante a manifestação.

No termo do protesto, que envolveu membros da Acampada Coimbra – Assembleia Popular e do Movimento de Defesa do Ramal da Lousa, decidiram marcar para o próximo dia 29 uma nova manifestação, a coincidir com o apelo de jornada de luta lançado pela Confederação Europeia de Sindicatos .

One Comment

  1. António Verissimo says:

    O importante é mesmo isto. Sair para a rua, lutar e, nunca, nunca "atirar a toalha ao chão".

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