Baixo Mondego merece mais respeito

Depois de muitos anos – demasiados – a vermos a Obra do Baixo Mondego ser adiada e passada sempre para terceiro e quarto plano, mais uma vez os agricultores deste vale são enganados. O anúncio feito pelo anterior Governo transformou-se, com este Governo, numa decepção quando mandou dizer que não havia dinheiro. Mas o dinheiro já estava destinado para estas obras da Margem Esquerda que integra os blocos de rega de Taveiro, Bolão e Maiorca-Foja. Mais de cinco milhões de euros já estavam disponibilizados para esta margem e destinados a completar uma obra que continua urgente para todos estes homens e mulheres que vão resistindo e sobrevivendo… e com que dificuldades. Mas quando tudo parecia que se ía começar a viver uma realidade agradável, eis que levámos com um balde de água fria. O dinheiro desapareceu. Ou melhor: terá sido desviado para tapar buracos noutras zonas do país, como a Cova da Beira, por exemplo. Maiorca e Bolão, no Baixo Mondego, passam a estar em lista de espera e sem futuro à vista.

Esperamos que aconteça um volte-face pois não podemos acreditar que seja propositadamente que a senhora ministra, que desde Agosto de 2011 já recebeu três convites para vir ao Mondego por diferentes razões, continue a esquecer-nos ou a fazer de contas que não existimos. As respostas não nos convencem pois deixamos essa visita à consideração e de acordo com a disponibilidade de agenda da senhora ministra. Ainda esta semana, esteve em Castelo Branco para uma passagem pela Danone. Comentários para quê? Os agricultores do Baixo Mondego são pobres, não têm muitos hectares , não têm milhões, mas têm dignidade e mostraram já que merecem mais respeito do que aquele que nos estão a demonstrar.

Um dos últimos convites feitos à senhora ministra destinava-se ao evento que organizámos em nome do pastel de Tentúgal e do Arroz Carolino do Baixo Mondego. Não aceitou. Como se pode verificar pelo resultado, não fez falta.

No congresso do milho em Lisboa, a única referência foi para o Alqueva. E, mais uma vez, boas notícias. A obra primária vai passar para o QREN. O Mondego tem a Barragem da Aguieira e um sem número de infraestruturas, muitas delas feitas com a participação dos agricultores. A Obra do Mondego não recebe apoio dessa barragem e hoje tem a seu cargo a sustentação do regadio agrícola desta zona. As desigualdades de tratamento levam-me a questionar o papel dos políticos eleitos por esta região. Desafiamo-los a estarem ao lado dos agricultores. A conhecerem os seus problemas. A conhecerem as suas reais dificuldades. A darem um contributo para a solução dos problemas. Nós vamos, como sempre, começar com o diálogo. Quanto ao futuro, só a Deus pertence.

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