A Fonte do Castanheiro precisa de restauro

Mário Nunes

Há dias, quatro professores de Arquitetura da Universidade de Coimbra acompanhados de cerca de quatro dezenas de alunos deslocaram-se ao vale da Arregaça para tomarem notas e visualizarem, “in loco”, a beleza natural deste magnífico vale, como nos referiu o Prof. Doutor José António Bandeirinha.

Além deste motivo, apreciaram, como nos referiram, a lendária Fonte do Castanheiro, e tiveram um “olhar” para os imóveis do Jardim de Infância e Creche-Berçário de A Previdência Portuguesa, este recentemente inaugurado pelo Ministro da Solidariedade.

No diálogo que mantivemos constatou-se o estado de degradação em que se encontra a Fonte, situação que já tínhamos abordado, superiormente, bem como a incorreta colocação das placas de trânsito, que já denunciámos por escrito e por palavras, que provocam engarrafamentos e entupimentos escusados. Porém, a razão primeira deste texto é o monumento lendário que necessita de urgentes obras de restauro, porque constitui uma herança que apadrinha uma tradição cultural de Coimbra e que obriga a sua preservação.

Dado que nem todos os cidadãos conhecem o local e a bonita Fonte, impõe-se dar-lhes a história que identifica este património citadino, presente na lenda e na tradição que persistem e que, anualmente, avivam a memória dos conimbricenses. Assim, analisam melhor o seu valor.

Fonte do Castanheiro, ao sul da Arregaça, próximo da Av. Urbano Duarte, encontra-se inserida num lugar de quintas antigas que se estende até às atuais ruas de Verde Pinho, Carlos Seixas e Bairro da Arregaça e que devido à disposição dos terrenos em socalcos, proporcionou que aqueles fossem designados na gíria popular por “Cavalo Selvagem”, terrenos que acolheram, nalgumas épocas do ano, os rebanhos de cabras e ovelhas que aproveitavam os pastos mimosos. Lugar lendário, pitoresco, carismático da cidade, está tradicionalmente relacionado com os festejos populares, as fogueiras de São João. As danças e cantares do Santo Popular sob as ordens do mandador e ritmados pelos sons dos instrumentos dos músicos colocados no coreto armado ao centro, nos largos da Alta e da Baixa, em Santa Clara e Celas, onde se baila e canta pela noite dentro, terminam com a deslocação em festa de romaria à Fonte do Castanheiro, onde bebem a água santa que brota da fonte. Água que foi muito apreciada em Coimbra, pela sua pureza e características medicinais. Todavia, analisada, mais tarde, cientificamente, pelos especialistas, Drs. Filomeno da Câmara, Augusto Rocha, Charles Lepierre, Vicente José da Rocha e Nogueira Lobo foi considerada imprópria para consumo.

Fonte do Castanheiro relacionada, ancestralmente, com a lenda popular do pastor Felizeu (divulgada em 1828), pastor que cometeu um crime contra a ninfa do Mondego chamada Almira, e que para castigo foi transformado em castanheiro, enquanto a ninfa, a seu pedido, se formou em fonte. E, daí o nome de Fonte do Castanheiro.

Arquitectonicamente, a fonte possui a ladeá-la alguns bancos de pedra e a identificá-la o escudo nacional com ornatos do séc. XVIII, que encima a bica. A rematar a parede e entre volutas nos extremos, um rótulo em pedra com a inscrição que regista a data de 1701, ano em que foi restaurada por ordem do Dr. Pedro Rodrigues de Almeida, então superintendente das obras de Coimbra.

One Comment

  1. Manuel Joao says:

    Bons velhos tempos, no verao la ia a malta da areegaca buscar agua bem fresca, e fumar um cigarro as escondidas, ao mesmo tempo roubar uns pessegos ao Joao das hortas.
    Manuel Joao

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