Portugal sem rumo

Luís Vilar

Entrámos em 2012, com o actual Governo a completar mais de 6 meses de governação. Durante este período, em momento algum, escrevi sobre o Governo PSD/CDS-PP porque sempre afirmei que, durante os primeiros 6 meses, as críticas que pudesse fazer seriam de “Bota-a-Baixo”, tanto mais que ao chegarem à governação teriam de ter uns meses para estudarem os dossiers.

Da mesma forma não emiti qualquer opinião sobre o PS nacional, distrital e concelhio.

Começo por me referir ao meu Partido, sendo do domínio público o meu apoio ao actual Secretário-Geral, António José Seguro. Na minha opinião esteve bem durante estes seis meses, uma vez que apresentou sempre alternativas políticas às críticas que fazia. Da mesma forma esteve bem no voto do Orçamento Geral de Estado, face aos compromissos que o PS tinha assumido num passado recente, nomeadamente através da assinatura do acordo com a Troika, como na não-aceitação da “chantagem” para a alteração da Constituição.

Já em termos distritais não poderei dizer o mesmo, mas para já fico-me pelas questões nacionais.

O Governo, liderado por Pedro Passos Coelho, mais parece um conjunto de pessoas ligadas pela sua filiação partidária ao PSD e outros ao CDS, com os habituais não partidários que ainda fazem mais asneiras que os outros.

A obsessão no défice público e o dar satisfação às teses neo-liberais, tem sido a tónica deste Governo. Mas, seria um acto de hipocrisia não dar exemplos concretos:

1.Ataque aos rendimentos, nunca antes visto, da Classe Média e das Famílias Portuguesas;

2.Ter ido mais longe do que era exigido no memorando da Troika;

3.Esquecimento “cego”, diria mesmo arcaico, em relação ao desenvolvimento económico. Poderemos conter o défice público, mas jamais conseguiremos pagar a dívida se não aumentarmos as receitas.

Mas, o Governo não se ficou exclusivamente por aumentar os impostos directos e indirectos aos Portugueses, foi muito mais longe, quando membros do Governo e o próprio 1º Ministro, apresentam como solução para o desemprego, a emigração.

Recentemente, até os Ministros de Países Europeus, no caso concreto, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da França, vêm a Portugal dizer aos Portugueses que não nos podemos esquecer do desenvolvimento económico.

Já é tempo de perguntarmos ao Governo, antes que aplique mais medidas restritivas aos Portugueses, algumas questões:

•Em impostos directos e indirectos e cortes salariais, qual foi a comparticipação de cada Português?

•Qual foi a comparticipação no corte das “gorduras” do Estado?

•Qual é a lista de isenções de alguns que em nada contribuem no esforço nacional para conter o défice?

•Qual ou quais os organismos que foram extintos e qual o contributo para o défice?

A única medida conhecida e efectuada foi a extinção dos Governos Civis, mas que representa uma gota de água num Oceano de despesas desnecessárias, querendo agora, também, a diminuição de Juntas de Freguesia sem critérios credíveis, a não ser nas Freguesias citadinas, impondo uma Lei que não foi sufragada nas urnas. Nestes casos, em Democracia, deverá ser feito Referendo para se saber o que os Portugueses pensam sobre determinados assuntos.

Na realidade, recuperar da recessão económica e da falta de confiança no investimento provocada pelo actual Governo, vai ser muito difícil, o que significa que estamos sem timoneiro e consequentemente sem rumo.

Em Junho de 2011, mesmo antes, tínhamos um problema de défice público, hoje, além do défice, temos falta de um projecto político económico, financeiro e social, gerador da confiança aos investidores e, consequentemente, políticas de emprego.

 

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