Perder uma oportunidade

Maria Manuel Leitão Marques

Continuamos a ouvir falar da extinção de freguesias sem que mais nenhuma reforma administrativa de fundo comece a ser implementada.

Deve ser para enganar a troika, o que confesso ser o que menos me preocupa. Convinha é que à pala disso não nos enganássemos a nós próprios.

Que não desaproveitássemos uma oportunidade singular que permite, até em demasia, fazer reformas sem grande contestação.

Uma oportunidade que deveria servir para reestruturar serviços criados nos idos do século XX, que hoje são de utilidade duvidosa e muitas vezes até empecilhos à simplificação administrativa, permitindo reforçar outros que são importantes para os cidadãos; ou para redesenhar o mapa judicial, actualmente com comarcas definidas à semelhança dos concelhos, alguns dos quais sem procura que justifique a existência de um tribunal.

Ou servir para repensar, com coragem e bom senso, o mapa administrativo, mas ao nível dos concelhos, não secando uns a favor de outros, mas distribuindo poderes e entidades públicas por diferentes pólos. Onde está a sede do município não tem de estar a loja do cidadão e onde fica esta não tem de ficar o tribunal.

Não pensemos só no interior desertificado, pensemos na nossa região e nas que sinergias que aproveitaríamos desse modo. Pensemos em Lisboa, Oeiras, Loures e no sentido que faz a separação.

E continuemos por aí com estes pensamentos criativos, algumas vezes confessados na boca de autarcas mais atentos, mas naturalmente só na mesa do café ou em almoços particulares.

Talvez assim rentabilizássemos muitas das infraestruturas construídas e tivéssemos recursos financeiros para manter os serviços públicos essenciais acessíveis a todos e não apenas aos que os podem pagar.

Sei que nada disto é fácil de executar e que já não o era há um ano atrás, quando os deputados da então oposição, que agora são o Governo, e os seus ideólogos de serviço afirmavam ter a solução para a redução da despesa no seu bolso, por certo roto visto que caiu de lá para não mais ser vista.

Mas também sei que não é impossível e que uma oportunidade como esta para reformas mais profundas nunca houve, pelo menos desde o 25 de Abril de 1974.

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