Muito mais que 90′

Ricardo Castanheira

Nos últimos dias, apesar da enorme distância física, temos sentido uma energia mobilizadora em torno de Coimbra. A Briosa tem sido o catalizador e denominador comum.

No momento em que o presente texto está a ser escrito, estamos a 10 horas da partida mais importante das últimas décadas em Coimbra. Quando vir a luz do dia no jornal saber-se-á já o resultado final, que sendo obviamente o mais relevante não altera todavia o espírito deste registo.

Os noventa minutos de hoje não serão apenas uma hora e meia de tempo. Não será apenas um mero jogo de futebol. Não são só 11 jogadores contra 11. Não! É um jogo pela história e para a história. É um desafio de afirmação identitária. Uma cidade-região que entra em jogo.

A crise atual dá uma especial envolvência a este jogo. É uma questão de honra e de auto-estima. Coimbra, muito por culpa própria e alheia, tem somado derrotas nas décadas mais recentes. Nas diversas “quatro linhas” da vida…Tem perdido relevância nacional. Tem deixado que assim seja, por isso precisa desesperadamente de um ânimo e de um tónico para a Alma.

Hoje, está em causa não apenas (como se fosse pouco!) a possibilidade de chegar novamente à final da Taça de Portugal, passados 43 anos, mas a oportunidade para unir a cidade-região em torno de um ícone comum e de demonstrar ao Mundo o potencial local.

Coimbra precisa de galvanizar-se. Precisa de se encontrar. Precisa de descobrir um desígnio. Ora, perante a crise de lideranças locais, apenas a Académica tem a capacidade, o peso histórico e a força mobilizadora para ajudar a dar o primeiro passo. Agora!

Há uma frase que tem hoje mais significado que nunca: “o futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso…

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