Livres e solidários

Luís Santarino

Lembro-me de não ser livre. De soltar vivas à liberdade. De voltar a lutar pela liberdade afastando o espectro de uma outra e nova ditadura. Voltar a chorar de alegria porque reconquistei a liberdade. Porque finalmente os meus filhos iam saber o valor da liberdade.

Desde sempre assumi que ser livre é sobretudo lutar pela liberdade dos outros.

Não me espanta que haja tanta gente com ódio à liberdade. Acham, que não pensam, que a sua própria liberdade é uma limitação à de outrem. Contrariamente aos homens livres, que entendem que a “sua liberdade acaba quando começa a liberdade do outro”!

Sei que é difícil perceber os limites. Sei que é necessário acompanhar o pensamento de homens exemplares que defenderam a liberdade como o supremo dos direitos. Um bem que deve ser preservado, custe o que custar, porque os medíocres destilam ódio.

Eu sei, mesmo em democracia partidária, o que é difícil ser livre, assumir de corpo inteiro a crítica quando tem der ser feita. Só que, os “limitadores” da liberdade são sobretudo originários de agrupamentos, em que o povo, o seu povo, tem a única liberdade de “repetir” o que os dirigentes dizem.

Os portugueses não deverão ser “relógios de repetição”. É a liberdade de pensamento, custe o que e a quem custar, que reside a sua evolução. Ver mais “longe que a parede”, assumir que a meta-competência é um exercício fantástico. Erra-se, é verdade; mas aprende-se. E de que maneira!

Só quem não sabe ou percebe a que se destina, fica de olhos arregalados e boca aberta de espanto! Parecem o tal do “bolo rei”!

Nunca gostei dos que fogem das suas responsabilidades. Nunca gostei dos que encontram nos outros as culpas dos seus inêxitos.

Quando se “entra” em algo é para ganhar. Percebendo que, em política e na política – como mais desejarem – o exercício do possível é determinante. Sendo que o possível, é o limite, nosso e do outro, nunca ficando plenamente satisfeitos.

Defender os cidadãos não é seguramente deixá-los à mercê de quem os pode explorar. Defender os cidadãos, é combater a seu lado por melhores condições de vida, ainda que hajam perdas, sem nenhuma espécie de coacção!

Estamos numa fase da nossa vida comum muito difícil, de desfecho imprevisível. Uns, entendem que o confronto é o melhor caminho. Outros, mais inteligentes, adoptam o princípio se “não os podes vencer junta-te a eles”.

Não, não é oportunismo político e muito menos ideológico. É assumir que na vida é preferível perder os anéis do que os dedos! Mais tarde, porque nisso eu confio, os anéis voltarão, os mesmos ou os outros, porque mais importante que o TER é o SER!

Eu sou, quero continuar a ser, ainda que não desperdice o ter!

Deus mandou sem bom, não mandou ser parvo!

Parvos, serão aqueles que dão ouvidos a uma certa gente que os querem empurrar para a fome e a miséria permanente.

Temos de ser solidários com quem mais sofre, lutar para que os governos, este ou outro qualquer no futuro, percebam que os cidadãos deverão ter direito a trabalho, os jovens a estudar, os doentes a serem tratados, os idosos a terem um fim de vida digno.

Só que isto tem um preço. Um preço difícil de pagar. Só que mais vale pagar um preço ainda que alto, do que atirar o país para a miséria permanente.

Sejamos uns para os outros; livres e solidários!

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