Democracias ocidentais em crise

Luís Vilar

Recordome do filme “Os Deuses devem estar Loucos”.

Na verdade, desde 2008, depois de agências de rating terem dado notação máxima aos bancos, que a crise se instalou nos EUA, que rapidamente a transferiram para a Europa e, até hoje 2012, as democracias ocidentais estão em completo desnorte.

Ao aceitarem a regra do neo-liberalismo da “globalização dos mercados” como alternativa à fiscalização e regulação dos mercados, a Europa está cada vez mais perante a ditadura do poder económico e financeiro.

Nestes 4 anos a identidade europeia, as pessoas, ficaram sempre para segundo plano, ao ponto de se viver hoje pior que nos anos de 70 e 80.

Os governantes europeus, depois do Tratado da Moeda Única (euro), convenceram-se que todos os problemas estavam resolvidos.

A União Europeia, com excepção da Alemanha e da Holanda que até têm ganho uns milhões de euros com a crise, está sob a mira dos especuladores financeiros e, ainda pior, sem que a sua liderança, apesar de muito falar, tome qualquer iniciativa.

É evidente que os países com menor desenvolvimento económico e com maior dependência no sector agrícola e das pescas, os efeitos desta “ditadura financeira”, apresentam maiores dificuldades e as Pessoas, em particular a classe média, está a chegar a níveis incomportáveis nos seus rendimentos familiares.

Defendo, como não poderia deixar de ser, o pagamento da nossa dívida soberana e, aceito algumas restrições nos rendimentos dos portugueses, desde que esses sacrifícios sejam compartilhado por todos, o que na verdade não está a acontecer, como sabemos pelas notícias vindas a público que isentam alguns de comparticipar neste esforço nacional.

A questão que se coloca é outra e bem diferente.

As regras impostas aos países com défice financeiro pelo FMI e BCE, sem qualquer estudo sério sobre as consequências futuras, são de atingir as metas no espaço de 3 anos.

Significa isto que em termos económicos, com uma descida brutal do investimento e do poder de compra das populações, as economias entram de tal forma em recessão sem que se possa, de forma fiável, garantir a retoma num curto prazo, ficando esses países na dependência da “ditadura financeira” dos mercados especuladores.

Antes pelo contrário, a quebra de confiança dos investidores demora anos a ser conquistada, ao mesmo tempo que as actuais pequenas e médias empresas vão sucumbindo à vontade dos “senhores do dinheiro”.

Num país tal como em qualquer empresa, devemos sempre honrar os nossos compromissos, devemos cortar em despesas correntes supérfluas, mas é desejável, diria mesmo que obrigatório, começar a pensar no aumento das receitas.

Tal como alguns especialistas da área já disseram, o prazo razoável para combater eficazmente os défices públicos, não aumentando a taxa de inflação, seria de 5 anos.

O dinheiro não tem rosto, pátria, ideologia ou religião e, consequentemente está-se a transformar no pior ditador da história, com roupagem democrática uma vez que nem é preciso fazer nenhuma guerra.

As democracias ocidentais estão numa crise profunda, financeira, económica e até de credibilidade perante as pessoas.

É urgente mudar as regras de jogo deste fanatismo financeiro especulador que foi criado pelas agências de rating americanas, as mesmas que se enganaram em 2007 nos EUA.

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