Basta! – I

Norberto Canha

Tive uma noite de sono intranquilo. Melhor dizendo, não sei se dormi ou estive acordado. Sei sim, que nessa intranquilidade assisti, no Atrium, ao comportamento de três personagens desse sonho ou sono. Uma delas ia ao telefone e recebia as instruções – os outros dois, um homem e uma mulher. Ele muito mais alto, vermelhado para o gosto e com grandes entradas, sem ser careca, teria uns cinquenta anos; ela, mais nova, ágil, sem ser espaventosa, e o mandante todo bem posto e bem instalado, teria à volta de quarenta anos.

Mandante: vão lançar boatos e incendiar. Eles – ele e ela – mudavam imediatamente de feições e de comportamento, e como que estivessem hipnotizados, cumpriam. Mas não eram eles; não eram ninguém. O hipnotismo cessou e voltaram e ser eles; nem memória tinham do que acabavam de fazer. Isto foi a 1.ª vez.

2.ª vez: O mandante hesitou, mas mandou incendiar e bombear mais, muito mais. Cumpriram como autómatos.

3.ª vez: Estava anunciada uma bomba que destruísse todo o país. O mandante hesitou…, hesitou…, continuava a hesitar e telefonava; suspensão da ordem e o país sobreviveu ao holocausto.

Será este sonho premonitório?

Para que o não seja, basta!

Basta de destruir aquilo que se quer reconstruir ou construir. Como é que eu posso entender a greve da TAP e CP, melhor dizendo dos pilotos e dos maquinistas. Logo no momento de alegria, paz, união e família.

Mas se os aviões não funcionam, os comboios não andam, que justificação têm os outros funcionários para receberem o seu vencimento, se não têm trabalho, e sem culpa sua. O que pode justificar que o patronato, o Estado ou outro, tenha que lhe pagar se não teve vencimento. Serão os senhores pilotos e os senhores maquinistas que terão de o fazer. Mas não fazem.

Suponha-se agora que maquinistas ou pilotos estavam meses sem trabalhar. Greve por tempo indeterminado. Onde é que o patronato irá buscar dinheiro para lhes pagar e indemnizar? Onde?

Se fosse uma greve de toda a TAP e de toda a CP, ainda poderia entender. Ninguém trabalha, ninguém recebe, não há despesa.

Mas esses senhores pilotos e maquinistas só pensam em si. E os outros? Se eles são contemplados ou punidos deve ser na mesma ordem de grandeza percentual. Não será assim?

Sem princípios de equidade todas as greves são gravosas e deverão ser proibidas e não permitir arbitrariedades de classes profissionais.

E se os controladores aéreos – chefes de estação, médicos, cirurgiões – fizessem o mesmo? E se as barragens não produzissem energia… se não há combustíveis…, agora que importamos 85% dos alimentos. O que faremos?

Creio que nesse sonho/sono, ou acordado, o que se pretende alertar é que já estamos na 3.ª vez/3.ª fase.

É altura de termos juízo. Mas também é altura de passarmos a produzir. O livro Amar Portugal apela ao senso, à verdade e ao reconhecimento, aponta para como fazê-lo, como sair da crise.

Basta, não se brinca com o lume. Depois não se saberia como apagar o incêndio.

Estamos no limiar da 3.ª vez ou fase. Tudo depende de nós! Não se esperem milagres.

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