Vigaristas “quânticos”!

Massano Cardoso

Parece que já descobriram mais uma maneira de chular os papalvos, agora estão a usar um colar “quântico”, “que contém uma célula de ressonância que está programada com as frequências saudáveis do corpo”. Dizem, os vigaristas, que quando se coloca junto do coração “reforça e equilibra o sistema energético”. As explicações pseudo científicas não ficam por aqui multiplicam-se no arrazoado habitual. Mas vende e bem! Às tantas vai destronar a “pulseira do equilíbrio” usada por tantas pessoas, algumas das quais ditas “eminentes”. Tenho algumas dúvidas se estas personalidades, bem conhecidas do grande público, acreditam nessas balelas, estou seguro de que não, deve ser uma forma de publicidade encapotada. O papalvo, ao ver aquele adorno no pulso do seu ídolo, vai a correr comprar uma pulseira. Se ele usa é porque deve ter propriedades medicinais. Agora, é só esperar para ver os pescoços compostos pelos colares quânticos. Sim, porque quando se fala de “quântica”, uma palavra sagrada e cheia de mistérios, que só alguns cientistas são capazes de compreender, é sinal de máxima respeitabilidade cientifica. Pobre ciência que anda nas ruas da amargura, ao redor do punho, à volta do pescoço, no interior de um iogurte ou de uma garrafa de água mineral. Pobre ciência que é utilizada, e cada vez mais, para fins não científicos. Pobre ciência que acaba por ter lugar de destaque em certos programas, alimentando pessoas pouco escrupulosas. Pobre ciência que preenche o espaço publicitário ao ser abusada, digo mesmo violada, através de um Malato, de um Marco Paulo, de carrinhas larocas, sobejamente conhecidas do grande público, quando fazem publicidade a águas, a alimentos e outras coisas. Pobre ciência que não consegue penetrar nos neurónios de alguns, que arvoram, como alarves, as suas soberanas incapacidades para a matemática, como se dissessem: essa merda não nos serviu para nada e, como vêem, somos mesmos bons e conhecidos de todos. Arrepio-me perante esta arrogância “artística”. Arrepio-me perante certos programas conduzidos por profissionais do entretenimento promovendo determinadas figuras de uma forma descarada, não revelando qualquer sentido ético, não obstante a tremenda facilidade com que conseguem arrancar um suspiro ou uma lágrima na primeira oportunidade, o que lhes confere uma aura de filantropos e de pessoas de bem. Mais valia que não se deixassem sucumbir ao compadrio estéril ou enveredassem pela via do engano do pobre ouvinte.

Vivem e exploram, até dizer basta, a ignorância do próximo.

Que é que eu tenho a ver com isto? Ou melhor, o que é que eu ganho com esta reflexão? Nada de especial. Vai tudo continuar na mesma ou ainda pior, mas se puder evitar que alguém seja enganado por alguns artistas e certas individualidades que conseguiram o “estrelato” através de alguns programas televisivos, e que não se importam de “alugar” ou “vender” a imagem, enganando os seus semelhantes, então, já fiz alguma coisa de útil.

A estupidez humana é infinita e o universo também. As duas únicas coisas que possuem esta caraterística, mas o autor desta ideia, Einstein, não tinha tanta certeza quanto ao universo, mas não duvidava quanto à primeira. Não é preciso qualquer demonstração para provar este comentário, basta ver os que andam por aí a abusar do próximo, enganando-os, “quanticamente”? Dizem eles que não sabem, nem nunca souberam matemática! Foi a “sorte” deles e o azar de muitos outros…

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