Uma Europa à deriva, Portugal sem rumo

Luís Vilar

No meu último artigo do ano de 2011, não poderia deixar de desejar a todos, por igual, o meu sincero desejo de Festas Felizes.

Nos últimos meses, diria mesmo que após a crise financeira e económica de 2008 nos EUA temos vindo a assistir ao desmoronar da Europa que conhecemos dos anos de 1980 a 2007.

Foram muitos os factores que contribuí-ram para este declínio europeu, mas os principais, no meu entendimento, foram os que nos levaram a perder a identidade do velho continente:

1.A perca de líderes/estadistas que pensavam a Europa dos Cidadãos com crescimento económico e coesão social;

2.Os esforços financeiros de guerra que, ao provocarem a crise nos EUA, começaram a influenciar os mercados financeiros ocidentais (estamos ainda para ver as consequências financeiras da guerra na Líbia);

3.A famigerada “globalização” que quisemos controlar mas que, por ser uma forma de especulação, não permitiu que a Europa impusesse os seus mecanismos de controlo, permitindo assim que os mercados financeiros iniciassem os seus ataques a países soberanos;

4.Os Bancos Centrais dos Estados-membros e o Banco Central Europeu, que não estiveram à altura de fiscalizar e regular o sistema financeiro, permitindo assim situações como a do BPP e do BPN;

5.E, verdade seja dita, em Portugal, uma certa “guerrilha” que se instalou entre alguns órgãos de soberania, em nada ajudaram para a credibilização da República;

6.Algumas políticas que se praticaram e que só ajudaram agravar a crise em Portugal, embora ela fosse inevitável, uma vez que veio “exportada” dos Estados Unidos para a Europa, nomeadamente, a descida do IVA e o aumento dos funcionários públicos em 2009.

Como não poderia deixar de ser, os países que tiveram eleições neste período, mudaram de cor política – Portugal, Espanha, Dinamarca, Inglaterra – e, nas eleições regionais, a própria França e Alemanha.

Não refiro, propositadamente, a Grécia e a Itália, uma vez que aí, e pela primeira vez na História das Democracias do após II Guerra Mundial, assistimos a governos impostos pelo Poder Financeiro, sendo que, pelo que vamos vendo, não têm sortido qualquer efeito. Mas, sublinhe-se o facto dos Países Europeus assistirem à ilegitimidade democrática, do voto secreto das urnas, na constituição de Governos “cozinhados” pela alta finança mundial.

Como se tudo isto já não fosse muito preocupante, e porque a Europa assim o permitiu, este sector financeiro mundial, sem pátria, nem religião, começa agora uma nova etapa.

Uma das já famosas “agências de rating”, a Standard & Poor’s, permite-se, no seu último relatório, afirmar que vai analisar se as conclusões da última Cimeira dos 27 países europeus serão, ou não, suficientes e credíveis para os mercados.

Isto é a negação da Democracia, dos Estados de Direito, a subversão da Soberania dos Estados. O que significa que, hoje, para se instalar uma ditadura, já não é preciso recorrer-se à força das armas, outrossim, “os mercados” são soberanos.

Não será esta postura um caso de investigação, por subverter a Constituição da República?

Não deveremos investigar “os mercados”?

É tempo de exercermos o nosso direito à cidadania e liberdade, consignados na Constituição, e exigir que os portugueses sejam chamados a decidir o seu futuro.

Reiterando os desejos de Festas Felizes, despeço-me, até 2012.

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