Um olhar sobre 2011

Fernando Serrasqueiro

O final do ano é época de balanços de todos os tipos.

Alguma comunicação social procura destacar os acontecimentos e figuras do ano.

Ficarei por aquilo que mais me impressionou, sem ser exaustivo e com projecção futura:

1-CRISE

Sem sombra de dúvida foi a questão do ano, sentida por todos. É verdade que não nasceu em 2011, embora se tenha agora aprofundado e seguramente não vai terminar neste ano, dada a sua dimensão e robustez.

Mas 2011 serviu para confirmar três ideias:

Uma que a crise não era exclusivamente nacional, como alguns fizeram crer, e que se resolveria com a mudança governativa. Hoje estamos pior.

Outra ideia contrariada era que se resumiria a países com governos de centro-esquerda. No entanto, nem o governo de Berlusconi escapou, tendo mesmo a dupla do ano Sarkozy e Merkel sido afectada. A terceira ideia é que o combate à crise tem de ser concertado. Se inicialmente a Europa procurou dar uma resposta articulada, logo se apercebeu que os mercados viram nas dívidas soberanas uma debilidade a aproveitar. É entendimento generalizado que a Europa do euro tem de ir mais além na concertação de diferentes políticas.

2-DEMOCRACIA

Se para os países que a têm é insuficiente, para os que a adoptaram com reservas é uma máscara e para os que não a têm, uma aspiração. Este ano foi de aprofundamento, conquista e reivindicação com grande vitalidade dos ideais democratas. Nalguns países assistimos a mutações significativas, designadamente no Norte de África, e fomos confrontados com movimentos revolucionários com grande amplitude. O contágio fará transportar essas ideias porque afinal continuam actuais.

3-CONTESTAÇÃO

Foi um tempo de contestação intensa em todo o mundo, com relação evidente com a crise global. No entanto, em Portugal a temperatura contestatária não subiu, em algumas áreas até desceu.

Lembro o sector dos professores, que quando estava em causa a sua avaliação encheram as ruas. Logo que o problema é o seu desemprego, resultado da reforma curricular e encerramento de escolas, acalmaram. Deixou de se ouvir Mário Nogueira, que na linha do seu partido, considera o PS inimigo fundamental, mas perante um governo de direita deixa de ser necessário estimular a luta.

4-FADO E FUTEBOL

Não pretendo fazer qualquer correlação nem alusão a um significado histórico. O fado com o reconhecimento da UNESCO pode contribuir para afirmar Portugal, divulgando a nossa língua e dando um apoio à cultura e turismo nacionais.

Já quanto ao futebol vive numa ilha neste mundo de crise, com uma valoração acima do posicionamento do país, muito devido aos desempenhos dos clubes e mais uma presença no Europeu. Esta situação só é possível em resultado das dívidas dos clubes e dos apoios de diferentes instituições e autarquias, em contraponto com o que se passa no país. Com equipas dominadas por estrangeiros que transferem divisas para fora do país é necessário ajustar os orçamentos à conjuntura actual.

5-EMIGRAÇÃO

Passou a ser tema de discussão em muitos países e singularmente em Portugal. Muitos, face à crise, fecharam-se e discutem a permanência ou a entrada de estrangeiros.

Em Portugal defende-se a saída, agora, ao contrário de outros tempos, de técnicos qualificados. Onde vai a qualificação dos portugueses como factor de incremento da produtividade e inovação? Para Angola e Brasil em força, se nos quiserem lá.

Ficam as reflexões mas também o desejo, não fácil de atingir, um 2012 melhor que 2011.

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