E agora 2012?!

Álvaro dos Santos Amaro

Quando voltar a escrever nesta coluna estaremos a viver um novo ano. Se outras razões não houvesse, esta seria bastante para desejar a todos os trabalhadores do Diário As Beiras e, naturalmente, aos seus leitores tudo de melhor que possa acontecer em 2012.

Formulo este desejo com convicção. Mas não é fácil abstrair-me das dificuldades que a sociedade portuguesa em geral vai ter de superar face às perspetivas económicas e financeiras que temos pela frente.

Não é por puro pessimismo que se antevê um ano difícil. O próprio primeiro-ministro o afirmou com meridiana clareza. Temos de estar preparados e fazer das fraquezas forças para, com espírito de mais compreensão, vencermos a crise. É certo que não dependemos só de nós e que a Europa onde estamos também não tem tido a solidez necessária para superar os “obstáculos” dos mercados financeiros.

Há como que uma mão invisível que a cada passo levanta novas barreiras. Depois o próprio eixo franco-alemão que apresenta contradições de vária ordem, capaz ele próprio, sabe-se lá, de a breve prazo mudar de orientação política.

Tudo isto não ajuda à tão desejada estabilidade dos mercados e ao invés reforça a insegurança e a incerteza. E quando assim é, sofrem mais as economias mais débeis e, naturalmente mais expostas. Para mal dos nossos pecados, a economia portuguesa é uma delas e desta feita com a agravante de estarmos numa colossal dependência já não de Bruxelas mas da “famosa” troika. Como diz o povo, “temos de andar a toque de caixa”.

Creio bem que nenhum português da esquerda à direita sinta qualquer orgulho nessa condição, mas a verdade é que fomos autenticamente atirados para este abismo e só acordámos quando nos estávamos a estatelar no chão. Mas o grave é que certamente assistiremos a um 2012 com peripécias políticas do género ”sacudir a água do capote”.

O Partido Socialista já falou de folgas, teima em acenar com dureza a mais por parte do Governo como que antecipando algum efeito anestésico para a dor nacional.

O PSD, como partido liderante da coligação, mas também o Governo no seu todo, tem não só a espinhosa tarefa de nos mobilizar a todos, como também de nos explicar e bem a razão de ser de tamanhos sacrifícios.

O país tem que perceber em cada momento que valeu a pena a responsabilidade com que se explicou a situação e assim ter sido possível no final do ano abrir-se uma janela de esperança para 2013 e anos seguintes. Que ninguém seja tentado a “decretar” o fim da crise como aconteceu no passado, em que o ex-primeiro-ministro, obcecado nos resultados eleitorais, tudo “pintava a cor-de-rosa” quando o quadro era já bem negro.

Estes seis meses deste novo ciclo político terão sido, creio bem, dos mais terríveis da nossa governação democrática.

E os próximos 12?! Sejamos firmes nas convicções, solidários nas acções e confiantes nos resultados.

Até para o ano… com muita esperança.

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