Cerca de 28% de trabalhadoras e estudantes universitárias deixaram de amamentar após retomar atividade

Quase 28% das mães trabalhadoras ou estudantes do ensino superior de Coimbra deixaram de amamentar menos de um mês após regressar à atividade e mais de metade queixaram-se da falta de condições nas escolas.

Os dados constam de uma estudo realizado por Rosa Pedroso, professora da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) e defendido há dias em tese de doutoramento na Universidade da Extremadura, em Espanha.

O estudo abrangeu 230 mães, das quais 109 funcionárias (docentes e não docentes) e 121 estudantes, no ano letivo 2008/09, de três instituições de ensino superior público: a Universidade de Coimbra, o Instituto Politécnico de Coimbra e a ESEnfC.

A redução de duas horas no horário de trabalho diário para amamentação/aleitamento até um ano do bebé foi um direito ao qual 30,9% das mães não recorreram, apesar de 95,2% o reconhecerem.

As mulheres “concordam com a alimentação exclusiva de leite materno até aos seis meses de idade (recomendada pela Organização Mundial de Saúde), pelos benefícios para a saúde do filho e delas próprias”, mas revelam ser decisivo o apoio da família, instituição, colegas e superiores hierárquicos, mais do que a consagração do direito na lei, disse à Lusa a autora do estudo.

Rosa Pedroso sublinhou que “algumas se queixaram de ter de trabalhar quase o dobro para compensar a dispensa para amamentação, stress pelos prazos para concluírem os trabalhos e de não serem bem vistas pelos colegas”.

“Cada vez mais as mulheres têm mais funções em relação ao homem e o facto de estar a amamentar causa ainda mais stress”, afirmou a docente, que sugere a criação de espaços próprios, nos locais de trabalho, onde as mães possam retirar o leite ou amamentar diretamente o bebé.

Segundo a docente, que defende também a criação de creches nos locais de trabalho, “bastava uma pequena sala limpa e arejada, com um sofá, lavatório e frigorífico”.

“Todas as instituições tentam cumprir a legislação e manifestam-se empenhadas em melhorar as condições oferecidas mas, por falta de informação, não sabem o que podem fazer”, disse.

A falta de condições de apoio nos estabelecimentos de ensino é um dos fatores apontados por 57% das inquiridas para o abandono da amamentação, bem como o cansaço (57%) e a limitação social (18,3%).

Das que referiram limitação social, 66,7% viram diminuída a participação em eventos sociais aos quais estavam habituadas a participar, 31% disseram receber críticas negativas (algumas referem recriminação por parte dos colegas) e 26,2% queixaram-se de isolamento.

Muitas mães que tenderam a amamentar os bebés durante mais tempo disseram ter apoio familiar (67,7%), dos colegas (64,8%), alguma condição facilitadora na instituição de ensino (58,6%) e não sentir cansaço (52,5%).

Além das mães, foram inquiridos 11 presidentes dos conselhos pedagógicos e 12 responsáveis pelos recursos humanos das instituições de ensino.

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