BD: Uma editora dinamarquesa em Portugal

Para além de prosseguir com a edição nacional do Hellboy, de Mike Mignola, iniciada pela Devir, a editora dinamarquesa G Floy acaba de lançar nas livrarias portuguesas outra novidade assinada por nomes de prestígio dos comics americanos: a novela gráfica “Fel: Cidade Selvagem“, que reúne o argumentista Warren Ellis com o desenhador Ben Templesmith, que os leitores portugueses conhecem da série “30 Dias de Noite“.

Duas interessantes novidades que este espaço não podia deixar de assinalar, começando por “Fell”, regresso do argumentista britânico ao drama com um toque de fantástico e de horror, depois da sua passagem pela série “Hellblazer”, da Vertigo. E se o detective Richard Fell tem alguns parecenças (até físicas) com John Constantine, o protagonista de “Hellblazer”, o horror nesta série nasce mais da exploração do lado sombrio da alma humana, numa cidade em total desagregação, do que dos elementos sobrenaturais. Quanto à arte do australiano Bem Templesmith, continua extremamente eficaz, graças a um trabalho de cor bastante conseguido, que disfarça bem as debilidades do seu desenho que, longe de ser o de um virtuoso, se adequa perfeitamente às necessidades de uma história cruel e sombria.

A edição da G Floy recolhe os 8 primeiros números da série “Fell”, publicados de forma algo irregular pela Image, entre 2005 e 2007, no que foi uma tentativa de produzir uma revista mais barata, por ter menos páginas de história do que o habitual (16 em vez das tradicionais 22), mas a agenda muito ocupada de Ellis e Templesmith fez com que a série entrasse num hiato, depois da publicação do nº 9, em 2008, embora Ellis tenha anunciado no seu blog, em Janeiro de 2011, que o nº 10 já estava escrito e entregue a Bem Templesmith. Esperemos que o regresso de “Fell” se concretize, pois esta é uma série muito bem feita, que vale a pena seguir.

O mesmo se pode dizer da série “Hellboy”, de que este “A Bruxa Troll…” é o sétimo volume editado em Portugal. Recolhendo uma série de histórias curtas do demónio criado por Mike Mignola, este volume tem a particularidade de contar com Richard Corben e P. Craig Russel como desenhadores convidados. Se o traço estilizado de Mignola, com o seu peculiar uso das sombras como uma forma de criar ambiente, continua inimitável, os ilustradores convidados não se saem nada mal ao criarem a sua versão de Hellboy. Entre a corporalidade do Hellboy de Corben, numa história passada em África, à elegância do traço delicado de P. Craig Russel, num conto inédito que revisita as lendas de Praga, cabe ao leitor escolher a sua versão favorita.

O que é sempre de realçar é a presença de três desenhadores deste calibre no mesmo livro, algo que só a popularidade e carisma da personagem criada por Mignola, possibilitou.

(“Fell: Cidade Selvagem”, de Warren Ellis e Bentemplesmith, G Floy Studio, 150 pags, 15,99 €

“Hellboy: A Bruxa Troll e outros contos”, de Mignola, Corben e Russel. G Floy Studio, 136 pags, 15,99 €)

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