A modernização do Ensino Superior

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Joaquim Valente

Em tempos de crise global, em que a exclusão social é preocupante, é premente recolocar a escola pública, nomeadamente no segmento do Ensino Superior no centro de uma estratégia de modernização capaz de minimizar os efeitos nefastos dessa mesma crise.

Os políticos que não assegurem as dotações necessárias para a educação arriscam-se a serem recriminados no futuro como responsáveis de hipotecarem o futuro.

O Comité das Regiões, na reunião de Setembro, Comissão EDUC, quanto ao Ensino Superior salientou que a educação tem um valor económico, mas não é o seu único valor e considerar a educação só numa perspectiva economicista será sempre e inevitavelmente uma abordagem simplista e perigosa.

O ensino superior deve facultar uma formação abrangente e geral que permita às pessoas utilizarem ao máximo os seus talentos e desenvolverem-nos para assumirem as suas responsabilidades na sociedade.

Neste processo de modernização cabe às instituições de Ensino Superior e aos Estados a realização da Reforma de modo a que as respostas transcendam as fronteiras nacionais, mas a definição das competências relevantes no domínio do ensino e da formação, deverão passar também pelos órgãos do poder local tal como já acontece noutras áreas.

Neste processo de modernização do ensino superior há questões chave a considerar, como sejam:

– Melhorar os níveis de habilitação para garantir à Europa os investigadores e graduados de que ela necessita.

– Integrar a “dimensão social” tendo em conta a evolução demográfica da Europa e a organização dos estudos e devem ser orientados para o desenvolvimento de quadros nacionais de qualificação e de competências para profissões altamente qualificados.

Considerou-se que as empresas poderiam assumir maior responsabilização em relação ao ensino superior, proporcionando estágios e reflectindo em diálogo com as instituições sobre as carreiras do futuro, e respectivas exigências de formação, podendo contribuir para o seu financiamento e o poder local está bem posicionado para estimular e moderar esse diálogo devido ao conhecimento de proximidade.

É necessário fazer funcionar o chamado “triângulo do conhecimento”, ou seja, a necessidade de uma articulação entre o ensino, a investigação e as empresas, podendo as instituições de ensino superior estimular o desenvolvimento económico nas regiões onde se encontram estabelecidas.

O Comité diz-se preocupado com o facto de diversos Estados Membros terem proposto aumentar propinas no Ensino Superior apesar de terem ratificado o Pacto Internacional, e receia que esse aumento signifique uma pressão financeira para algumas famílias, num momento particularmente difícil de crise

O Comité insiste junto da Comissão Europeia na realização do processo de modernização do Ensino Superior que deverá ter como pressupostos gerais ser inteligente, sustentável e inclusivo, explorando ao máximo as possibilidades do programa “Europa da Educação e Horizonte 2020”.

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