A Europa dos cidadãos e a coesão dos estados membros

Luís Vilar

Na verdade, a Europa a que nos habituaram os grandes Estadistas Europeus, a Europa dos Cidadãos, já não existe. Sem credibilidade internacional, sem esperança, quase moribunda.

De facto, nos últimos anos, a liderança da Europa iniciou um processo de gestão a que, vulgarmente, costumo apelidar de “navegar à vista” ou, por outras palavras, gerir os problemas depois de os mesmos já terem ocorrido.

Foi assim com a famigerada “globalização”, sendo certo que alguns dirigentes, com forte cariz humanista, estavam convencidos que teríamos de aproveitar as suas potencialidades. Ora, tanto quanto sei, a menos que me expliquem muito, mas mesmo, muito bem, da aceitação da globalização, a única vantagem para as populações, em geral, foi a internet, que nos coloca perante o conhecimento, em tempo real e mais facilmente.

Mas, para se ter acesso à internet não é necessário este conceito, que os especuladores financeiros introduziram, com a globalização dos mercados sem qualquer controlo por parte dos responsáveis políticos de cada País soberano.

É por isso que as economias ocidentais e os próprios Estados Unidos estão a sucumbir a estas agências de rating que, em 2008, fizeram tremer a economia dos EUA e, logo de seguida, para a Europa. Primeiro foi a Islândia, a seguir a Irlanda, a Grécia, Portugal, depois a Itália, falando-se já da Espanha e da Bélgica.

Mais, segundo notícias recentes, estas mesmas “agências de rating” já vão anunciando que toda a Zona Euro está em crise, esquecendo-se que a Hungria (fora da zona euro) também já pediu auxílio ao FMI.

As duas grandes famílias políticas europeias, a social-democracia e a democracia cristã, terão de debater e encontrar soluções conjuntas, não em nome dos interesses partidários, outrossim, em nome da Europa dos Cidadãos para a qual, ambas deram o seu contributo.

Actualmente, na Europa, como nos seus Estados-membros, os Bancos Centrais e o próprio Banco Central Europeu, abdicaram das suas obrigações de fiscalização e controlo do sistema financeiro, deixando a terceiros as suas responsabilidades.

Se não fizerem este papel de controlo e fiscalização do sistema financeiro, para que servirão os Bancos Centrais e o BCE?

Depois, se é que ainda vamos a tempo, teremos de ter uma Federação Europeia de Estados com políticas económicas, financeiras, sociais, educativas e outras, sem pretender igualizar, mas no mínimo aproximadas, tal como acontece na Federação dos EUA para que, mesmo com Estados de características mais e menos desenvolvidas, a coesão económica e social da União Europeia possa ser uma realidade.

Neste assunto, a União Europeia está atrasada há mais de nove anos, desde a Presidência Grega, quando os Estados-membros não se conseguiram entender sobre uma Constituição Europeia, era então Presidente da Comissão Europeia, Valéry Giscard d’Estaing.

A emissão de moeda pelo Banco Central Europeu, a emissão de Eurobonds e outras medidas, já deveriam ter sido implementadas de forma a reagir aos primeiros ataques dos especuladores financeiros, há mais de 2 anos, logo no início da crise americana de 2007/2008.

Sabemos que o capital não tem Pátria, cor, religião e muito menos é humanista.

Que todos, rigorosamente todos, estejam conscientes das tomadas de posição públicas e políticas, e que os partidos políticos, em Portugal e na Europa, não se rendam à inevitabilidade dos mercados, como o fizeram com a globalização.

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