“Estamos a ser forçados a ir buscar mais financiamento às propinas”

Foto Luís Carregã

 

O Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) não escapou à redução nas verbas do Orçamento de Estado. Estamos a falar de quanto?

São cerca de sete milhões de euros a menos, mas em cortes efetivos são 2,6 milhões de euros, porque também vamos pagar menos em salários. Agora, 2,6 milhões de euros é um corte efetivo em relação ao financiamento deste ano. Em 2012 teremos que fazer mais do que aquilo que fizemos em 2011 com muito menos dinheiro.

Isso coloca em causa o futuro do IPC?

O futuro do IPC não está em causa, mas não podemos continuar a fazer as coisas que fazíamos até aqui da mesma forma. E isso implica que tenha que haver alterações: há aspetos administrativos, de gestão, de organização científica e pedagógica que vão ter que ser pensados, eventualmente reestruturados, para que possamos continuar a cumprir os nossos objetivos. Ou seja, temos que continuar a dar resposta às necessidades de formação da população que nos procura, e fazê-lo de forma mais racional.

O atual modelo está a ser repensado…

A partir do momento em que a instituição tomou consciência de que estes cortes não são temporários, decidiu fazer um estudo e reorganizar-se a vários níveis. E o que estamos a fazer é recolher dados e construir cenários alternativos, para que depois possamos tomar uma decisão e fazer aquilo que tem que ser feito.

Quais são esses cenários?

São vários os cenários. Uma das propostas de discussão que apresentei – não se trata de uma proposta concreta – era a reorganização das unidades orgânicas, passando a haver apenas duas escolas. O objetivo era tentar centrar, sob a mesma organização, uma escola de tecnologias e outra de gestão e ciências sociais. São basicamente as duas grandes áreas de intervenção do IPC, mas há outras hipóteses, como a organização de departamentos transversais às diversas escolas. Temos alguns departamentos – como informática, química ou física – que existem em várias escolas e que, neste momento, talvez não faça sentido que não sejam considerados como sendo um único departamento. Depois há outro aspeto que tem a ver com a própria organização dos cursos e o modo como nós encaramos e organizamos a formação. Provavelmente, há necessidade de levar um pouco mais longe a capacidade de estudo autónomo dos estudantes. Em Portugal temos uma tradição de ensino muito centrada nas aulas, os cursos têm uma carga letiva muito grande. Noutros países, os mesmos cursos têm menos horas letivas. Isto significaria ter que dar outro tipo de suporte e de condições aos alunos para que pudessem ter outro tipo de atividades autónomas, trabalhar nos laboratórios sozinhos ou com apoio de técnicos. Todos estes aspetos estão a ser analisados…

Esse processo de análise vai decorrer até dezembro?

O prazo que nos é dado pelo Conselho Geral é que até dezembro apresentemos, pelo menos, algumas conclusões preliminares. Toda a programação do próximo ano letivo começa a ser feita em março, abril… Nessa altura, são tomadas as decisões quer em termos de cursos que vão funcionar no próximo ano, e respetivas vagas, quer em termos de preparação do orçamento para o ano seguinte, que começa a ser discutido nessa altura. Portanto, se queremos implementar estas reformas para o próximo ano letivo, temos todo o interesse que entre abril e maio haja, por parte da instituição, uma decisão formal. Algumas destas mudanças poderão ter também o apoio da tutela e, portanto, teremos que as negociar ou abordar com o ministério. 

Isso pode significar a fusão de algumas unidades orgânicas?

Se fossemos para aquele modelo das duas escolas, tal implicaria necessariamente a fusão de unidades orgânicas. Esse cenário não está excluído. Aliás, nós não excluímos nenhum cenário. Mas uma fusão tem que ser decidida com base num suporte estratégico. E, neste caso, as vantagens são colocar os professores mais próximos, juntar departamentos, e assim, rentabilizar recursos.

Leia mais na edição impressa do DIÁRIO AS BEIRAS de 3 de dezembro

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