O tema não deixa de ser grego

Foto Luís Carregã

José Couto, Presidente do Conselho Empresarial do Centro

Se os gregos decidirem virar costas ao euro e à UE implode nesse momento uma cratera de 200 mil milhões que correspondem ao esforço de sustentação do país.

Toda a Europa sofrerá com esta decisão, porque mais de metade daquele valor está em papel no BCE, para não falar dos efeitos negativos diretos para as economias mais envolvidas com a divida soberana, como será o caso da Alemanha e da França, ficando ainda para saber se a senhora Merkel e o senhor Sarkozy resistem a tal catástrofe.

O que se pede ao povo grego é de facto assustador, pede-se recessão, desemprego e diminuição de rendimento, ao mesmo tempo há que capitalizar os bancos com 30.000 milhões. Portanto, é de grande preocupação a resposta grega às propostas saídas da Cimeira de 26 de outubro porque dependemos todos dessa resposta, em especial o nosso país.

Esta conjuntura já não nos é favorável se lhe adicionarmos a informação que a produção industrial na zona euro, segundo os números no final de outubro, sofreu uma contração pelo terceiro mês consecutivo, passa para um nível de preocupação negro. De acordo com indicadores que medem o índice de produção, as compras dos 17 da área euro caíram para 47,1%, menos do que o esperado pelos analistas e abaixo dos 48,5% de setembro, que também se apreçam a referir que quando este índice se situa abaixo de 50 pontos num trimestre o significado é contração da economia.

Mas a recessão está à espreita, não duvidemos, porque, sem se anunciar, o desemprego na Alemanha aumentou (para 7%), o que não acontecia vai para mais de dois anos, e a produção industrial também caiu. Trata-se de uma desaceleração da economia germânica que está a baixar stocks ou é mais do que um problema de acelerador? É que para nós faz toda a diferença se a economia da locomotiva europeia cresce 1,8% ou 1%.

Na origem de tudo isto não está apenas o 5.º programa de austeridade grego, está sobretudo uma quebra de confiança da sociedade e até uma ameaça de golpe militar. Neste momento, o problema já não é grego, é europeu. A incapacidade das instituições europeias darem uma resposta cabal ao problema está a permitir um alastramento perigosíssimo da “infeção”.

Uma semana após a, afinal infrutífera, Cimeira Europeia, depois de mais reuniões do eixo franco-alemão e destes com o governo grego, de mudanças na liderança do Banco Central Europeu e até mais uma reunião do G20, continua pesada a atmosfera europeia e, ou muito me engano, continuarão ainda o impasse e angústia…

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