Bodas de prata do Cearte

Mário Nunes

Um projecto inovador, dedicado ao artesanato, marcou, em 1986, o panorama nacional neste segmento da economia. Um projecto que associou o Estado e a Cáritas Diocesana de Coimbra e que fez nascer o único centro de formação da rede do IEFP, específico para as artes e ofícios, objectivando promover a formação profissional e a certificação de competências dos artesãos, apoiando a inovação e a modernização do sector com abrangência das dinâmicas de estruturação e desenvolvimento, sempre em conjugação com as políticas públicas que sucessivamente foram definidas.

Desde aquele ano que o CEARTE, sedeado em Coimbra, mas que iniciou o seu percurso em Venda de Galizes, tem trabalhado com o intuito de qualificar e valorizar os artesãos portugueses, contribuindo, assim, eficazmente, para a afirmação do artesanato. Um exemplo que revela que as parcerias, quando bem organizadas e dirigidas a áreas específicas que precisam de apoio e dinâmica para evoluir, beneficiam os trabalhadores e criam riqueza, tornando-se espaços de excelência para melhorar a qualidade e o saber.

Nós, desde a primeira hora ligados ao Cearte – Centro de Formação Profissional do Artesanato, integrando o Conselho Técnico Pedagógico, temos acompanhado com satisfação o trajeto trilhado pela instituição, demonstrado na sua evolução (no 1º. ano, 1987, apenas nove ações e 74 formandos) para no presente ano, 2011, realizar 200 ações de formação, envolvendo 2.500 formandos e 300.000 horas em volume de formação, a par de 300 adultos a certificar no seu centro de Novas Oportunidades. Organização sustentada na equipa chefiada pelo dr. Luís Rocha, diretor, na qualidade, saberes, experiência e área geográfica, esta consagrada nos pólos de Miranda do Corvo e Alvaiázere e em mais 45 locais do país (do Algarve ao Minho).

Como escreveu o atual presidente do Conselho de Administração, dr. António Alberto Costa, o Cearte é hoje uma marca, uma mais-valia, que nestes 25 anos de atividade ajudou mais de 22.000 pessoas no desenvolvimento do seu percurso social e profissional. É, realmente obra na obra feita.

Mas, nesta iniciativa sempre inovadora e que acompanha a evolução do homem no tempo e no espaço, o Cearte foi introduzindo no artesanato novas unidades produtivas e estimulando os jovens a abraçar a profissionalização. Aproveitou os seus níveis de escolaridade, as competências, as áreas do design, gestão e novas tecnologias, para os estimular pela cerâmica, vidro, madeiras, têxteis, proporcionando-lhes projetos de vida assentes na qualidade e criatividade, suportes do seu futuro. E, centenas criaram o seu emprego, constituíram micro-empresas, obtiveram prémios em Portugal e no estrangeiro e foram pioneiros na criação de projetos inovadores para o setor.

Refletindo sobre o passado e o futuro desenhado na tecnologia, marketing, áreas sociais, empreendorismo e inovação como fatores de valor acrescentado para o artesanato português, acrescido na participação em iniciativas e programas de âmbito nacional e europeu e referência na formação de empresas, instituições e empresários e gestão empresarial, vemos que o Cearte mereceu justamente a certificação de qualidade da APCER. O galardão é o testemunho do brilhante e invejável lugar que ocupa na vanguarda do que de melhor se faz na formação profissional em Portugal.

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