Austeridade ou bancarrota

Almeida Henriques

Nenhum governo deseja sê-lo contra as pessoas, contra o seu país e nenhum político se debate para tornar a vida daqueles que o elegeram ainda mais difícil e sem esperança no futuro.

Nos últimos anos Portugal seguiu o caminho do aumento desmedido e irresponsável da despesa pública que agravou o descontrolo orçamental, obrigando a vários orçamentos rectificativos, e trouxe-nos à iminência da bancarrota.

Se nada for feito, será esse o nosso destino.

À semelhança das empresas ou das famílias também os estados podem falir ou entrar em incumprimento. Porém, ao contrário de uma empresa, um Estado ou uma família não se extinguem com a falência ou insolvência, pelo que precisam de continuar a sobreviver para além desse momento. As condições em que passam a viver são, no entanto, substancialmente mais precárias face à dificuldade de acesso a crédito e às taxas de juro crescentes e eventualmente incomportáveis que se aplicariam aos empréstimos das empresas e das famílias (como o crédito à habitação, o crédito automóvel, entre outros) e da própria banca.

Algumas destas empresas e famílias, não sobreviveriam ao exponencial aumento do custo de vida, o incumprimento agravar-se-ía e os bens perdem valor. Este é um cenário que apesar de próximo, o Governo está determinado em excluir.

Os prazos para recuperar a credibilidade perante os mercados e os parceiros europeus não deixam margem para a brandura. Por isso, Portugal precisa de honrar os seus compromissos para continuar a finaciar-se e assim conseguir manter os salários da função pública, os serviços públicos e as prestações sociais, ainda que reajustando-os às possibilidades do seu orçamento ou seja, adapando-os à sua produtividade.

O colossal endividamento do estado, das empresas e das famílias impõe as recentes medidas de austeridade, transversais a toda a sociedade. Mas o seu propósito é comum, em nome da recuperação económica em vez da insolvência.

4 Comments

  1. alguma coisa tem se ser feita.
    mas acho que nâo é a cortar e a subir ivas e taxas que la vamos, isto porque, nos portugueses cada vez mais vamos tentar fugir a impostos. agora a tantos incentivos publicidades porque nâo apostar em uma, ex:( aumentar o ordenado minimo para 500€, baixar o iva para 19% com o intuito de que todos pagem impostos mas mais baixos), porque se todos pagar-mos pagamos menos. A televisâo e internet e a melhor forma de comunicaçâo correcto, porque nâo existir um programa de transparencia para todos nos, EX; O VALOR DA TAXA IUC E PARA A MANUTENÇÂO DE ESTRADAS A TAXA (HOSPITALAR) É PARA A MANUTENÇÂO DOS HOSPITAIS ENTRE OUTROS.
    FALO POR MIM, TODOS NOS FICAVAMOS MAIS ESCLARECIDOS E COM INCENTIVO PARA TRABALHAR. MAS ATENÇÂO PRECISAMOS DE PESSOAS ONESTAS NO GOVERNO E ACIMA DE TUDO SEJAM HUMILDES.

  2. Tretas e mais tretas….O maior problema é que nem todos são atingidos da mesma forma e, isso, não está a ser visto pelos nosso governantes…Muita desgraça está prevista. Pois os que têm pouco, vão ficar sem nada e, em contrapartida, os que mais têm, pouco ou nada vão sentir…

  3. Eduardo Pereira says:

    Ponto 1:–Vamos lá a ver se aqui alguem me pode explicar uma duvida filosófia: nos ultimos anos (até posso aceitar que foi só no tempo do Eng.Socrates) o país endividou-de , ou seja ,pediu dinheiro lá fora para comprar coisa lá fora (certo?). Agora dizem-nos que como não temos dinheiro (gastamos tudo o que pedimos) precisamos de voltar a ser pobres para ganhar credibilidade (lá fora) para podermos voltar a pedir dinheiro (lá fora) para voltarmos a poder comprar coisas (lá fora). Não percebi porque é que sendo mais pobres com mais desempregados com as empresas todas falidas ficamos mais crediveis para receber empréstimos…mas enfim, não devo perceber nada disto.

  4. Eduardo Pereira says:

    Ponto 2:–Mas será que alguem acredita nesta teoria de que é a destruição da economia que vai trazer riqueza ao país?. Pois…eu sei..não é agora…é para o ano..ou depois.
    "Por isso, Portugal precisa de honrar os seus compromissos para continuar a finaciar-se" diz o Sr. AH. E que tal se começassemos mas é a viver só com o que temos e a trabalhar, a produzir mais, a fazer crescer as empresas que foram destruidas pela politica europeia, na agricultura, pescas, industria e serviços?
    Não é? Eu pelo menos se tiver menos dinheiro vou trabalhar mais …não fico em casa para poupar nos transportes.

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