“O dinheiro podia ter sido mais bem aplicado”, defende João Ataíde

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João Ataíde encontra-se a meio do mandato. O presidente da Câmara da Figueira da Foz tem passado os dois últimos anos a tentar gerir uma “herança financeira muito pesada”

 

Se as eleições autárquicas fossem agora, como iria tentar convencer os figueirenses de que merecia ser reeleito?

 

Não estou a trabalhar com a preocupação direta de renovar o mandato. A questão da renovação do mandato é um julgamento que cabe aos eleitores.

 

Está a admitir que vai recandidatar-se?

 

Essa é uma questão que vai ser ponderada a seu tempo. Depende de saber se sou necessário, se faço parte do projeto. (…) Obviamente estou com o PS.

 

E o PS está consigo?

 

O PS está comigo.

 

Regressando ao balanço, que tem para mostrar?

 

Já temos algumas obras em curso e outras em fase de adjudicação. O balanço passa, fundamentalmente, pela resolução da grave situação que a autarquia atravessa, no âmbito do Plano de Saneamento Financeiro, além da reestruturação interna dos serviços e outros projetos de cariz imaterial e que passam por envolver a comunidade numa reflexão profunda sobre o concelho. Fundamentalmente, temo-nos dedicado a questões internas.

 

Ou seja, a dar continuidade a projetos que vêm do anterior executivo.

 

Há situações semelhantes, ou seja, autarcas que dedicaram a primeira parte do mandato à reestruturação da autarquia.

 

A herança é pesada?

 

É muito pesada porque foi agravada pelo facto de os tempos terem mudado. Pensar o futuro, hoje, obriga a um trabalho muito sério, porque não se pode correr riscos.

 

Que empresas municipais vai extinguir?

 

É nossa pretensão extinguir a Paraindústria ea Paranova e fundir a FGT e a Figueira Domus. A Figueira Parques vai continuar a funcionar autonomamente.

 

De que forma está a ser executado o Plano de Saneamento Financeiro?

 

Começámos por pagar aos credores de montantes mais avultados. Depois, fomos descendo na escala, e neste momento estamos a processar o pagamento aos fornecedores de quantias menos elevadas, às juntas e às coletividades. Julgo que já foram executados dois terços. (…). A taxa de endividamento da autarquia ronda os 170 por cento.

 

Os benefícios para o concelho são proporcionais ao montante da dívida (90 milhões de euros)?

 

Julgo que não. Para atingir este nível de endividamento devia-se ter dotado o município de outros investimentos. Acho que o dinheiro podia ter sido mais bem aplicado. Por exemplo, muitos dos investimentos não tinham qualquer tipo de financiamento. Hoje, queremos desenvolver apenas projetos que tenham uma comparticipação acima de 70 por cento.

 

Em que fase se encontra a transformação do Paço de Maiorca numa unidade hoteleira?

 

Estamos a trabalhar arduamente para tentarmos ultrapassar esta situação – as obras pararam porque a banca deixou de as financiar. Pensamos que a melhor solução passa pela municipalização do projeto (que tem a participação de um privado), acabar as obras, para não desvalorizar o investimento feito, e, depois, procurar soluções.

 

Quando é que fica concluída a revisão do Plano Diretor Municipal e do Plano de Urbanização?

 

Gostava que esses processos ficassem fechados durante o atual mandato.

 

A regeneração urbana e as obras do mercado são mesmo necessárias?

 

Temos uma linha de financiamento (europeu) de 85 por cento e consegui implicar algumas verbas das contrapartidas da zona de jogo. Portanto, a câmara não paga nada e o financiamento só pode ser aplicado naqueles projetos.

 

Que apreciação faz da atuação da oposição?

 

Não faço um julgamento negativo. Acho que tem cumprido bem o seu papel, de uma forma consciente, com preservação e defesa do interesse público.

 

Esta entrevista pode ser ouvida na íntegra no programa “Clube Privado” da Foz do Mondego Rádio (99.1FM), às 19H00 de sexta e de sábado e às 22H00 de domingo

2 Comments

  1. cristina henriques says:

    Figueira…………………………….onde estás???

  2. Onde a deixaram certos politicos

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