Ser solidário sem falsa caridade

Luís Vilar

O momento de crise económica e financeira que se vive em Portugal, deve-nos despertar o engenho e a arte para minimizar os impactos sociais.

Pessoalmente, sou contra a “velha” caridade da esmola que menoriza a condição humana de todos os que começam a sofrer, dentro dos seus agregados familiares, para manter as condições mínimas com dignidade.

E, não nos enganemos, uma vez que não são só aqueles a quem, vulgarmente, designamos de pobres. A verdade é que muitos extractos da classe média, agora sobrecarregada com uma imensidão de impostos que tendem a agravar-se, que enfrentam enormes dificuldades para honrar os seus compromissos com a prestação da casa, com as despesas de saúde, com os estudos dos seus filhos, tentam esticar os seus rendimentos até ao final do mês.

Dir-se-á que alguns dos compromissos assumidos eram desnecessários, mas foi o próprio Estado que se eximiu às suas responsabilidades de Regulador: permitiu empréstimos sem critérios, levando-os, porque não dizer, incentivando-os, a assumir esses mesmos comprometimentos despesistas.

Hoje, para além do Governo que tem por obrigação não se esquecer que sem emprego, sem apoios à economia, o défice social aumenta, exponencialmente, também as Autarquias e outras Instituições Públicas e até Privadas, devem ter como principal preocupação estes dois factores: o apoio à economia (tecido empresarial), para aumentar o emprego, e o apoio social aos que começam a sentir os efeitos devastadores da crise instalada.

Sem classe média, não existe equidade na sociedade e os problemas com a falta de segurança de pessoas e bens tenderão a aumentar, o que, a seguir, provocará a intervenção das forças policiais e, consequentemente, o agravamento das condições geradoras de criar riqueza para Portugal.

É neste contexto complexo, que entendo que as Autarquias deveriam intervir com atitudes pró-activas, para o combate à exclusão social, e afectar uma percentagem dos seus orçamentos a estas áreas, deixando de lado os investimentos em betão e alcatrão para os privados.

Não tenho qualquer dúvida que todos os Conimbricenses, pelo menos a sua esmagadora maioria, daria o seu apoio ao investimento nas Pessoas e ao Emprego, mesmo que, para isso, outras obras ficassem adiadas por um ou dois anos.

Esta tarefa só pode ser liderada por quem tem legitimidade democrática para fazer mais justiça social em tempos de crise, e não aqueles que julgam sem serem sufragados nas urnas pelos Portugueses.

Os partidos políticos têm, neste capítulo, uma obrigação enorme, independentemente de estarem a exercer o Poder, ou na Oposição.

Coimbra tem massa crítica e Instituições de prestígio que poderão desempenhar este papel, assim a Câmara, que tem a legitimidade democrática, a queira liderar.

Os anos de 2011 e 2012 não são para pequenas querelas partidárias, ou inter-partidárias, outrossim, é tempo de dar as mãos por e para Coimbra.

Tenhamos a inteligência e sagacidade de sermos os primeiros a dar o exemplo da forma correcta de combater a crise.

A política, porque legitimada pelo voto secreto, é uma arte nobre, desde que seja feita em nome das Pessoas.

Se quisermos, vamos conseguir.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*