Putas ao poder…

Ricardo Castanheira

Putas ao poder… que os filhos já lá estão. Recordo ler, há muito, esta expressão em muros urbanos numa apologia anárquica que sei não ser a solução de coisa nenhuma.

Atualmente, voltaram a pintar a frase, porque são tempos estranhos estes que se vivem em Portugal. A leitura diária de informação adensa a ideia de que é cada vez mais um país adiado. Fica a sensação de que se enganaram gerações, sobretudo aquelas que irão agora pagar a fatura do regabofe. Mas levantam-se algumas questões: os sacrifícios apresentados são necessários? E têm de ter tal dimensão? Não haveria outros caminhos possíveis? A perda de tanta esperança é feita em nome do quê?. Exemplo: suspender subsídios de natal e férias dos funcionários públicos é não apenas um golpe em direitos fundamentais, mas representa, acima de tudo, a redução acrescida do consumo e com isso da dinâmica económica do país. Menos renda disponível, menos consumo, menos investimento e mais desemprego..

Assim sendo, não seria preferível avançar de vez com uma reforma administrativa em que se acabassem alguns municípios e se fundissem outros? Em que se extinguissem organismos públicos regionais desnecessários ou nacionais redundantes? Com certeza que tamanha mudança, necessária aliás há muito, não representaria nem a violação da constituição nem o sacrifício nacional consubstanciados nas perdas dos subsídios de natal e de férias.

Mas há mais. Não estamos ainda preparados para fazer como a Islândia que debateu a revisão constitucional nas redes sociais, mas podemos reduzir o número de deputados (exagerado face aos tempos que correm) sem ferir a proporcionalidade necessária. Aliás, aproveitar-se-ia e mudava-se a lei eleitoral, criando círculos uninominais em que 80 deputados seriam suficientes para fazer as vezes dos atuais 230… Enfim, a crise também é propícia a exageros e a julgamentos sumários. Diariamente recebemos muita informação que é deturpada e injusta relativamente a alguns. Uma coisa é certa, ou a classe política portuguesa abre os olhos e decide reformar o país com proporcionalidade e adequação ou o poder das ruas (tantas vezes demagógico) substituirá sem medida os políticos. Os maus e os bons…

11 Comments

  1. Henrique Costa says:

    É engraçado como tantos comentadores, incluindo o Presidente falam do cancelamento de 14% da remuneração dos funcionários públicos mas ninguém fala no aumento de 6% no horário de trabalho da privada que em adição há diferença já existente dá uma diferença de 21,5 % a mais em relação à pública! E muito menos falam na estabilidade no emprego que a privada não tem de todo!!! Será que é por todos os comentadores terem um tacho na pública? É a vida neste país dominado pelos exageros de Abril!!!

    • Luis Nunes says:

      Caro Henrique Costa!
      Li com atenção o seu comentário e apercebi-me que o nosso país é feito a dois tempos: por um lado o funcionário público, que pode e deve pagar as dívidas que todos nós acumulámos ao longo de anos e anos a fio, porque ele (o funcionário público) não trabalha e não produz nada para o país. E depois estão os desgraçados dos trabalhadores do privado que trabalham que nem uns escravos e são explorados a toda a hora pelos patrões. A esses não se lhes pode retirar nada, apesar do país também ser deles!
      deixe-me dizer-lhe que ninguém fala da meia hora a mais, por uma simples razão: é que os funcionários do privado já trabalham muitas horas para além do que deviam, então esta meia hora é uma utupia!!

    • Luís Nunes says:

      É só por isso, meu caro Henrique!
      mas deixe também que lhe diga, que nunca vi um funcionário público a conduzir carros topo de gama oferecido pela empresa, nem a ir para as bahamas com a família com tudo pago, pela empresa! Isto só para lhe dizer que não devemos falar dos outros quando temos telhadops de vidro. É tempo de união e de sacríficio para todos e não só para alguns porque Portugal é só um!

    • SERGIO FRANCISCO says:

      É sem duvida dificil de aceitar estes cortes, mas os aumentos sem control que lhes conferiram nos últimos 35 anos não contam ? e a diferença de garantias e regalias em relação aos outros trabalhadores, também deviam contar, mas como diz o brasileiro, pimenta no cu do outro é refresco.

    • olho de lince says:

      meu amigo;

      desculpa lá, mas conversa é para a praia!! Vai mas é trabalhar que és muito novo e ainda tens muito para dar ao país que te criou e pagou os teus precários estudos.

  2. funcionário público says:

    estabilidade de emprego na função pública? onde?

  3. Aqui está tudo dito… Onde deviam começar a cortar, (nos políticos), acabarem com os tachos existentes que não passam disso mesmo, pois se formos a ver o que fazem, para que servem, fácilmente se chega à triste conclusão, ou seja, nada, isso não, obrigado… è uma vergonha, quem paga sempre a favas desta miserável situação é sempre o pequenino que trabalham para eles…

    • algarvia revoltada says:

      Se os senhores politicos, incluindo o Dr. Mário Soares que agora anda a instigar os portugeses para se revoltarem, ganhassem a pele de batata que a maioria dos funcionários públicos ganha de certeza que já não falariam nas medidas de austeridade. Eles ficam isentos e continuam a beneficiar de todas as suas mordomias, porque são uns gananciosos, uns mentirosos e onde a palavra ética nem existe. Vivemos numa républica das bananas onde só os desonestos se orientam e todos os que trabalham servem para ser explorados até à medula. Assim é que um país vai para a frente! Correr mas é com esta cambanda de chulos e oportunistas que saquearam e puseram o nosso páis de rastos. Será necessário uma nova revolução para estes senhores (filhos da puta) que estão no poder verem de que fibra verdadeira é feito o verdadeiro português. Não somos os papalvos que só pagamos, pagamos para eles levarem uma vida à grande e à francesa. Vão mas é trabalhar…..que é para a economia crescer.

  4. A guerra não é privados versus publico é povo versos governo .

  5. Pois é mexem onde é mais fácil extorquir dinheiro, pois basta a uma qq secretaria fazê-lo. Para os senhores do privado, relembro que a crise já vem de longe: há 7 anos que as carreiras estão congeladas. Aumentos, nicles e batatoides…

  6. pedro alves says:

    boas! é só para dizer ao pessoal que diz raios e coriscos dos funcionários públicos e da função pública para olharem bem para a próxima factura da electricidade. muito melhor, agora que está mais PRIVADA e menos pública, não é? tansos! a seguir vão as águas para o privado e lá vai o iva para não sei quantos %. vocês esquecem-se que tudo o que é essencial para os cidadãos, apesar da má gestão e preguicite de que os funcionários públicos são acusados, devia ser do estado e ter preços justos que não dessem prejuízo, e não PRIVATIZAR tudo para pagarmos €50000,00 por mês ao "ronaldo" catroga. falo da edp, epal, smas, ctt, transportes, etc. podia haver coisas privadas, mas que fossem mesmo privadas. e quem quisesse que fosse cliente. se não se aguentassem, azaréu. não é como agora que o estado cria infra-estruturas, dá-as à exploração de privados e depois se estes não se aguentam, lá está o estado a inchar mais guito… belo negócio, para os PRIVADOS. neste caso falo em coisas tipo pontes, auto-estradas… resumindo: o estado e os funcionários são mesmo necessários e o que estão a fazer é um grande injustiça. ah, já para não falar nos pequenos PRIVADOS que não passam nem querem facturas de nada, para fugir ao iva… e não venham cá com coisas, porque fazem isso desde os primórdios deste imposto. por isso estejam caladinhos, ou qualquer dia têm água da torneira ao preço da água engarrafada… e já não podem culpar o funcionário público.

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