Uma oposição responsável

Luís Vilar

O PS, ao nível nacional, acabou de arrumar a casa depois da derrota eleitoral que sofreu em 5 de Junho deste ano. Depois de eleito o Secretário-Geral no dia 23 de Julho, realizou-se o Congresso em Braga e já foram eleitos os restantes órgãos nacionais.

A forma como decorreu todo este processo foi normal, excepto em dois pequenos episódios que só têm significado porque contrariaram a unidade na acção que todos disseram subscrever, mas que alguns não conseguiram calar-se e dar a “ferroada”. Refiro-me, naturalmente, a Manuel Alegre que não perdeu a oportunidade para, uma vez mais, destilar a sua verborreia contra Mário Soares e a forma pouco curial como António Costa se referiu ao Secretário-Geral.

Bom, mas estas pequenas tricas, que só são importantes porque se verifica quem está de boa fé no processo interno e disponível para a verdadeira Unidade na Acção, não nos deve distrair do essencial.

Os portugueses ficaram a saber que o PS continua a ser o garante da defesa da Constituição da República, que jamais cederá aos conceitos do liberalismo selvagem e, que em cada momento saberá respeitar os compromissos assumidos em nome de Portugal e dos portugueses, mas nunca aceitará que as políticas deixem de ser feitas para as pessoas.

Mas torna-se necessário apresentar ideias de desenvolvimento económico e social, mesmo em tempos de rigor das contas públicas para honrar os compromissos do défice público.

Falemos então do défice. Portugal, através do actual governo do PSD/CDS-PP já atingiu os limites máximos de impostos para com a Classe Média.

De forma directa: aumento do IRS, cortes na saúde, diminuição de alguns bens essenciais, redução do subsídio de desemprego, aumento brutal do IVA em bens essenciais (17% gás, electricidade), corte no subsídio de Natal, colocam as famílias portuguesas a pagar sozinhas uma crise, que de todo em todo não se justifica e muito menos é socialmente justo.

E tudo isto é feito, como se fosse a cura milagrosa para Portugal, o que, uma vez mais, tal como o défice de Alberto João Jardim, é uma mentira escandalosa.

Como já referi no meu artigo anterior, é urgente cortar com as verdadeiras gorduras e benesses do Estado e, ao mesmo tempo, como bem disse António José Seguro, apresentar uma estratégia de desenvolvimento para o futuro.

Como na vida política não basta criticar, deixo aqui algumas ideias para que, no futuro, estejamos melhores preparados para enfrentar as dificuldades:

1.Manter o rigor financeiro do Estado;

2.Continuar a apostar no Conhecimento e apoiar os Sectores das Exportações;

3.Apoiar as Pequenas e Médias Empresas dos diversos ramos, geradores de mais de 80% do emprego em Portugal;

4.Introduzir mecanismos na Agricultura e Pescas, reivindicando um novo estatuto na União Europeia, uma vez que dependemos em mais de 70% para nos alimentarmos;

5.Acabar com as hipocrisias legislativas, criando legislação capaz de combater a corrupção, criando uma saudável e rigorosa transparência entre poder político e o poder judicial;

6.Regular os mercados de tal forma que o poder económico não se possa sobrepor ao poder político sufragado democraticamente.

Numa qualquer sociedade, sem uma visão humanista e social, não existem homens e mulheres livres.

A política só é uma arte nobre, quando as Pessoas estão Primeiro.

One Comment

  1. António Cerca says:

    Pedem-nos para comentar o Luis Vilar?! Tenham paciência. Respeitem a npssa inteligêncoa.

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