Responsabilidade

Álvaro dos Santos Amaro

Entre discussões ou aparentes divergências sobre eurobonds e algumas observações sobre a maior ou menor capacidade do Governo na explicação das medidas difíceis, eis que o Presidente da República num acto de elementar justiça, condecora a nossa Selecção Sub-20 depois do brilhante 2.º lugar no Campeonato do Mundo.

Ao salientar este facto é apenas e só para sublinhar a necessidade de um profundo debate sobre a valia versus utilização destes nossos jovens atletas no futebol nacional. Sou dos que acreditam, convictamente, que era importante a reflexão e consequentes decisões de modo a que, continuando naturalmente abertos ao exterior, pudéssemos ter um nível de aproveitamento claramente superior dos nossos jovens talentos. Seria, além do mais, um incentivo adicional às políticas de captação pelos clubes.

Em qualquer circunstância estes nossos jovens sub-20 ajudaram à nossa auto-estima. Ao menos por momentos, no mundo do futebol leu-se que um País da Europa e do Euro e com enormes dificuldades de financiamento da sua economia, ocupa o 2.º lugar perdendo apenas para essa enorme potência que é o Brasil.

Até o ex-Presidente Lula, em viagem ao nosso País, não deixou de associar futebol com uma visita à Luz e uma rendida “homenagem” a Eusébio. Mas foi bonito e mais do que isso, muito útil, ouvir essa grande figura da política mundial, falar-nos da importância nas relações empresariais Brasil – Portugal. E isto enquanto o FMI baixava as previsões de crescimento da zona euro para 1,7% em 2011 e 1,3% em 2012. Estamos cada vez mais obrigados a tomar consciência das dificuldades que estamos a viver e que ainda mais se sentirão nos próximos tempos.

Fez bem o Ministro das Finanças ao comunicar que até finais de 2012 é tempo de preparar o País para que em 2013 possam sentir-se alguns efeitos positivos. É um desafio que encerra em si mesmo uma enorme responsabilidade política. Um ano e meio parece muito tempo, em particular porque será vivido em crise de emprego, em crise de criação de riqueza e com falências técnicas, para usar a expressão do Ministro da Saúde, em relação a alguns sectores empresariais do Estado.

Mas a verdade é que se torna cada vez mais imperiosa uma percepção tão exacta quanto possível da lógica e do enquadramento estratégico das medidas políticas tendentes ao combate à crise.

Em política vale sempre a pena explicar bem e definir as metas. Assim todos compreenderão e, porventura, aceitarão melhor os sacrifícios que são exigidos. Porque é mesmo disso que se trata no momento actual.

Os portugueses já interiorizaram que estão praticamente todos “convocados” para vencer este desafio histórico. E como disse o Primeiro-Ministro no discurso de posse, o País não pode falhar e convictamente reafirmava que não falhará.

Mobilizemos pois o País para tão importante convicção.

É imprescindível que assim seja para bem do nosso destino colectivo.

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