Professores titulares

Aires Antunes Diniz

Só há pouco soube da morte de uma colega, Maria de Lurdes Rodrigues, considerada por todos uma excelente professora de Matemática. Era por isso estimada e no concurso para professores titulares, feito pela troika MLR/VA/JP, com base na mais estapafúrdia forma de classificar professores não conseguiu ser professora titular por esta seriação ser feita com base nos lugares burocráticos e pedagógicos ocupados, e sem cuidar da qualidade do serviço prestado. Foi com desgosto e nítida certeza de injustiça que esta colega sentiu esta “ofensa governativa”, que não se tinha em conta que só tinha dado aulas porque ser directora de turma era um mau uso do seu tempo, mas era o que lhe faltava para ser professora titular. Pior ainda, foram muitos os casos semelhantes.

De facto, os anos da governação de Sócrates foram anos com casos insólitos como o do professor Charrua, afastado por clara prepotência pela directora regional do Norte, que, mais tarde, recebeu uma indemnização por perdas e danos, mas o juiz não foi capaz de determinar quem deu a ordem?!

Pior ainda, o jovem Leandro morreu afogado no Rio Tua e a DREN não conseguiu também detectar os responsáveis pela tragédia.

Com Sócrates não havia qualquer avaliação séria e tal como se dizia há cem anos era esta pedagogia bem pouco séria porque nem havia “Um discurso do sr. Abel Botelho como arte; (nem) um discurso do dr. Alves dos Santos de valor social e orientação educativa e prática. Só tinha o resto: farelório”!1

Isso mostrava bem a qualidade da pretérita equipa do ME, que foi substituída por IA que só dizia a Sócrates um Yeah, um Yes, sendo para todos nós um fiasco inesperado. Era o resultado de uma política que gerou Só Cretinos.

Agora, pior ainda, Nuno Crato parece não conseguir libertar-se desta herança cretina e com as mudanças epidérmicas que fez será o produtor de mudanças Só Cratinas.

Infelizmente Portugal quase só teve ministros sem perspectivas do que devia saber um sistema educativo, o que nos coloca mal num mundo competitivo. E, estupidamente, numa altura de contenção orçamental, puseram-se a gastar dinheiro à balda com a Empresa Parque Escolar, com que degradaram escolas com o pretexto de as requalificarem, mas só aumentaram a dívida nacional. Também os nossos governantes degradaram o ensino de adultos, primeiro com as unidades capitalizáveis e agora com as Novas Oportunidades. E fecharam cursos de alta empregabilidade.

Agora desempregam professores em nome de uma ficcionada racionalização através de mega agrupamentos, mas há para tudo uma dimensão óptima. Talvez fosse bom que parasse para pensar. Se não o fizer, escutará protestos. E se não os ouvir, quando voltar a olhar veremos uma catástrofe.

1 Echos do Liz, Semanário Ilustrado, Leiria, 8 de Maio de 1910, ano IV, n. 175, p. 6, coluna 4

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