Professor Eduardo Lourenço

Joaquim Valente

Uma pessoa afável, humilde, cortês, simples, com convicções profundas e palavras sábias, de fisionomia subtil e discreta, eis o Professor Eduardo Lourenço, notável ensaísta, o Homem puro das nossas Beiras.

Tenho tido o especial privilégio de privar com o Senhor Professor, nas mais diversas situações, uma das quais no passado mês de Julho aquando da homenagem na sua terra natal, em S. Pedro de Rio Seco, e a sua maneira peculiar de ser e de estar na vida, têm deixado em mim profunda admiração!

Eduardo Lourenço e Annie Salomon legaram à Biblioteca Municipal da Guarda, que tem o seu nome, um acervo bibliográfico que muito nos honra e nos enche de orgulho, onde na placa de doação, atestando a grandeza do seu ser, podemos ler: “O dom dos livros é um gesto natural, um gesto libertador, de salvaguarda, de uma companhia que me foi preciosa e um momento de grave consideração”.

Dos muitos livros que fazem parte desta doação, alguns oferta pessoal de escritores nacionais e estrangeiros, podemos constatar pelas dedicatórias a admiração, o respeito, e afabilidade para com o grande pensador português e europeu. Por exemplo, Jorge de Sena escreve: “Para o Eduardo Lourenço estas meditações cruéis sem crueldade com grande abraço muito amigo”, e Mafalda Ivo Cruz: Ao Professor Eduardo Lourenço com admiração”.

Eduardo Lourenço lançou na cidade dos seus afectos as sementes do Centro de Estudos Ibéricos, CEI, que a autarquia soube acarinhar, fundado na ideia de que hoje a compreensão da nossa História ficará incompleta se não tivermos em conta o passado e o presente da Ibéria.

O CEI, alicerçado neste princípio e conjugando os contributos da Universidade de Coimbra e de Salamanca, está a cumprir cabalmente a sua missão a nível nacional e internacional, complementado com o Prémio Eduardo Lourenço, destinado a galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cooperação e da Cultura Ibérica e que já vai na sua 7.ª edição, tendo sido atribuído em 2010 ao escritor espanhol César António Molina.

Ainda hoje o Senhor Professor mantém uma frontalidade e uma clarividência admiráveis sobre o que se passa no mundo cultural, político, económico e, quando solicitado a pronunciar-se sobre a “culpa” da presente crise, afirma: “Acho que é de toda a gente na nossa história, e a nossa história somos nós. Penso que não temos outra saída senão tentar estar à altura das exigências que esta construção europeia vai pondo a cada país; não há mais outra saída … o nosso destino é realmente na Europa”.

Ao Senhor Professor, pela afectividade que tem demonstrado pela nossa cidade, pela presença constante e lições de vida que sempre nos transmite, também o nosso bem-haja.

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