José Niza: morreu um homem “que nunca esqueceu Coimbra”

 

Faleceu na sexta-feira, aos 75 anos, em Lisboa, devido a uma paragem cardiorrespiratória, o músico, médico e ex-deputado socialista José Niza. O autor da primeira “senha” musical do 25 de Abril, “E depois do adeus”, mantinha uma estreita ligação a Coimbra, onde cursou Medicina e onde privou com grandes nomes como Machado Soares, Fernando Rolim, António Portugal ou Adriano Correia de Oliveira.

Foi, aliás, com Durval Moreirinhas que José Niza gravou as primeiras baladas de Zeca, exclusivamente acompanhadas à viola.

“Musicalmente ele era superior. Foi uma grande perda”, lembra ao DIÁRIO AS BEIRAS o violista e compositor, Durval Moreirinhas, amigo pessoal de José Niza “há mais de 50 anos”.

“Nunca esqueceu Coimbra e aparecia sempre”, recorda.

Também Rui Pato, um dos músicos que integrou o movimento renovador da balada de Coimbra na década de 60 com José Afonso, entre outros, salientou “as qualidades humanas” de Niza, que definiu como “grande companheiro de fados e guitarradas” e “um resistente à ditadura”.

Numa autobiografia, para o JL, José Niza escreveu: “Santarém tinha uma sólida e saudável tradição académica, naturalmente de matriz coimbrã. E foi por isso que escolhi Coimbra para estudar Medicina, uma das melhores opções da minha vida. Para além de Medicina aprendi coisas que moldaram a minha forma de ver as coisas, a democracia, e conheci amigos de uma geração até hoje não repetida”.

O corpo de José Niza saiu esta manhã do edifício dos Paços do Concelho de Lisboa. O funeral realizou-se no cemitério dos Capuchos.

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