Caminho do PS

Fernando Serrasqueiro

Feito o congresso e eleitos os órgãos de direcção do PS trata-se agora de definir o caminho do maior partido de oposição na tarefa de construir uma alternativa que produza resultados nas próximas eleições autárquicas e legislativas.

O percurso tem em minha opinião de ser condicionado por cinco aspectos essenciais:

1 – Cumprimento do memorando da troika na estrita medida daquilo que está assinado e de acordo com as medidas instrumentais que julgamos mais adequadas.

Evitar a interpretação daqueles que nos querem amarrar a uma extensão do que se convencionou sob a justificação de que o que interessa é o espírito de como encarar as finanças públicas e nessa base tudo tem a cobertura da troika, mesmo aquilo que não ficou escrito.

O PS, partido responsável, cumpre os seus compromissos mas não tem de subscrever aquilo que outros querem executar como prolongamento do acordo inicial.

2 – Defesa do sistema social que o país adoptou e que nalguns casos é uma referência europeia. Acabar o SNS, tal qual o conhecemos, privatizar ou concessionar a Segurança Social e alargar mais a escolaridade obrigatória a privados pode ser a aposta do actual governo.

O PS tem de ser a salvaguarda daqueles que se opõem a esta estratégia e o reduto de oposição a alteração do sistema vigente.

3 – O PS tem de continuar a ser o impulsionador da actividade económica como um equilíbrio das restrições decorrentes do plano de saneamento das finanças públicas.

A economia não pode ficar à espera do equilíbrio orçamental mas ser antes um propulsor que contrarie os efeitos recessivos das medidas que vêm sendo aplicadas.

Por isso, compreendo mal o slogan “governar para as pessoas”, por ser redutor. Temos de governar para as pessoas e também para as unidades económicas e constituirmos uma frente que também inclua empresas e universidades que com o seu dinamismo e inovações possam trazer algo de novo para o sistema económico pela força da sua acção.

4 – O PS, no seio dos partidos socialistas europeus deve promover um debate sobre uma nova Europa, mais solidária, mais coordenada e com maior aprofundamento político.

As eleições que se vão seguir em alguns países da União Europeia irão, certamente, penalizar muitos governos de direita que não souberam encontrar um rumo para a uma Europa mais forte, mais unida e com uma visão que faça conviver crescimento com solidariedade e possa ser um bloco que fale sem tibiezas com todos os outros países.

5 – A revisão constitucional não pode ser encarada como uma prioridade da acção política por não existir hoje uma querela na sociedade portuguesa derivada de qualquer restrição da nossa constituição. As reformas que são necessárias podem ser acomodadas no actual texto pelo que a revisão se deverá cingir a melhorias de carácter minimalista.

São estes aspectos de orientação política para uma oposição responsável que visa a curto prazo cortar com as veleidades ultra liberais que adulterem o cenário português como um espaço moderno, competitivo, europeu mas com sensibilidade social.

Só o PS pode liderar este confronto sem condicionamentos daqueles que estão mais virados para o passado e para o protesto.

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