Banda Desenhada: O Regresso de Wolverine

Depois de ter sido a editora oficial da Marvel em Portugal em finais dos anos 90 e início da década de 200, a Devir volta finalmente a pegar no catálogo da “Casa das Ideias“, com este, “Wolverine: Inimigo do Estado“, primeiro volume (de 2) de uma movimentada e hiper-violenta história escrita por Mark Millar e ilustrada por John Romita Jr., em que um Wolverine mentalmente alterado enfrenta sozinho os maiores heróis da Marvel, do Quarteto Fantástico ao Demolidor, passando por Elektra e pelos X-Men.

Publicada originalmente em 2004, nos nºs 20 a 25 da revista “Wolverine”, “Inimigo do Estado” foi a primeira experiência de Millar com o popular mutante da Marvel, experiência que voltaria a repetir em 2009, ainda com mais sucesso, com a história “Old Man Logan”, desenhada por Steve McNiven. Argumentista de origem escocesa, Millar foi mais um dos vários escritores britânicos que, na senda de Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison, se estrearam no mundo dos comics através da Vertigo, a linha mais adulta da editora DC Comics. Uma estreia que, no caso de Millar, aconteceu em 1994, ao lado de Grant Morrison, na série “Swamp Thing”, no que foi o primeiro passo de uma carreira na indústria dos comics, feita de sucessos como “The Autorithy”, Superman: Red Son”, “Civil War” e “Wanted” e “Kick-Ass”, dois projectos independentes, de que já falei neste espaço, aquando da estreia em Portugal das respectivas adaptações cinematográficas.

Em “Wolverine: Inimigo do Estado” e na sua continuação, “Wolverine: agente da SHIELD”, que a Devir promete publicar até ao Natal, Millar mistura elementos de espionagem, como a SHIELD e a organização criminosa Hydra, com a mitologia oriental criada por Frank Miller, para a série “Daredevil”, da ninja Elektra (que tem um papel decisivo nesta história) à Mão, a seita criminosa que treinou Elektra e a transformou numa assassina letal, numa história que se lê de um fôlego e prende o leitor até à última página. Como refere o irlandês Garth Ennis (outro britânico que se estreou nos comics americanos, via Vertigo) no prefácio, Mark Millar: “corre pelo universo Marvel como um maníaco com uma espada samurai e uma misturadora, cortando um pouco daqui, misturando outro dali, transformando, criando algo novo e incrível”. E, passe algum exagero de Ennis, é o que acontece neste caso, em que Millar mistura todos estes ingredientes, com mestria, contando com o talento gráfico e narrativo de John Romita Jr, que se mostra tão à vontade nas complexas cenas de combate, como nas (poucas) cenas mais intimistas.

Venha depressa a continuação! Quanto à edição da Devir, bem impressa e competentemente traduzida, apenas fica a dúvida em relação à imagem da capa, da autoria de Joe Quesada, que não corresponde ao desenho do interior, quando havia várias capas bem conseguidas de Romita Jr. que podiam ter sido usadas com maior propriedade…

(“Wolverine: Inimigo do Estado”, volume 1 de Mark Millar e John Romita Jr., Devir Livraria, 136 pags, 15,00 €)

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