Tratar a pobreza com o(s) PES

Jaime Ramos

O Governo anunciou um Programa de Emergência Social. Não conheço o Programa em pormenor, nem o cronograma, pelo que não posso comentar as medidas. Genericamente merece o meu aplauso. Apoio por princípio tudo o que pode beneficiar os mais carenciados.

Saúdo o Governo por revelar esta preocupação pelas vítimas da crise, vítimas de uma sociedade que tem incentivado a desigualdade.

Recordo que a diferença entre os 10 por cento mais ricos e os 10 por cento mais pobres tem vindo a aumentar em Portugal, durante o mandato de Governos ditos socialistas e perante largas maiorias de esquerda na Assembleia da República.

Nos últimos anos tem-se alargado o fosso entre os que vivem melhor e o que sobrevivem com dificuldades.

Não desejo que os governos em Portugal se comportem como pirómanos ligados aos bombeiros, como às vezes acontece.

Incendiários pobres de espírito que usam o isqueiro para lançar o fogo, pelo prazer de ouvir as sirenes, os carros vermelhos, a adrenalina do combate ao fogo…

Portugal tem tido governos que, se por um lado criam condições para fazer crescer a pobreza, por outro tomam ou anunciam medidas de apoio aos carenciados.

No meu livro “Não basta mudar as moscas…” faço uma análise desenvolvida da miséria “extrema” e daqueles que se encontram abaixo do limiar de pobreza. Apresento varias propostas concretas e critico alguns gastos excessivos que alimentam, não os pobres, mas quem vive à conta da luta contra a pobreza.

Como é evidente, devido ao espaço, limito-me neste artigo a um breve comentário, resumido, sobre o tema:

As causas da pobreza

Há causas estruturais que empurram os socialmente mais frágeis para a pobreza.

Permitindo-me simplificar considero que os pobres em Portugal são um produto de:

1. Deficiência, doença mental , alcoolismo ou toxicodependência;

2. Desemprego;

3. Salário mínimo incapaz de garantir qualidade de vida mínima a uma família;

4. Pensões de reforma de baixo valor, insuficientes para garantir a satisfação das necessidades básicas a um idoso ou adulto vítima de incapacidade para o trabalho.

Devemos exigir aos governos que corrijam estas condições, não que as mantenham ou incentivem, como tem acontecido nas últimas duas décadas em Portugal.

Sem se criar emprego, aumentar o salário mínimo ou subir o valor das pensões não se combatem as causas da pobreza.

À sociedade não se pede que conceda esmolas e se dedique á caridade individual, que deve ser incentivada perante situações pontuais e excepcionais, mas sim que crie organizações vocacionadas para o apoio aos mais carenciados, e que obrigue os governos adoptar politicas de efectivo combate à pobreza.

Ser solidário é apoiar quem precisa mas, acima de tudo, criar condições para que menos pessoas precisem de ajuda.

Um país cristão, como é o nosso caso, deve olhar para a pobreza como uma realidade social que deve ser abolida.

Não podemos continuar a tratar a pobreza com os pés, marginalizando e excluindo, mas sim eliminado as causas estruturais que condenam pessoas a condições de vida subhumanas.

Até lá, que venha um bom PES – Programa de Emergência Social…

One Comment

  1. José Cobr says:

    Aqui está um saudosista dos tempos do Estado Novo…a caridadezinha aos pobrezinhos!Medicamentos grátis com validade a terminar daí por 6 meses, as 2 refeições por dia. Dr. Jaime Ramos, o senhor não sabe o que é isso…é só conversa fiada. Lembro dos meus pais o que passaram e que criança ainda senti no corpo…Portanto deixe-se de tretas.E os governospsd's o que fizeram?Parece que o senhor precisa de algum medicamento para lhe avivar a memória.E já agora o senhor está de acordo com um imposto especial sobre as grandes fortunas, os grandes acionistas bancários,etc.etc.etc., está?Duvido e muito…ou melhor tenho a certeza que o senhor está contra,blábláblá, que não é por aí.É só conversa da treta.

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