Lideranças jovens

José Manuel Canavarro

Recupero, passadas algumas semanas, o tema dos motins em Londres.

Em crónica anterior, referi que a situação não se confinou a um único factor causal: étnico, religioso ou político; mas sobretudo, não em exclusivo, a um factor sócio-económico. E o que sucedeu foi protagonizado por adolescentes menores, muitos deles, o que conjugado, com o principal factor causal, tornou a situação diferente e quase específica no contexto das convulsões sociais observadas no mundo ocidental.

Não foram motivos políticos, não foram razões religiosas, não se digladiaram facções entre etnias ou inter-étnicas; mas participaram em roubos, actos violentos e homicídios crianças, jovens e jovens adultos que não se distinguem por pertenças étnicas, políticas ou religiosas. Outrossim, por uma pertença social, a uma classe que se sente excluída do acesso a determinados patamares de bem-estar económico. Exclusão que se sente desde tenra idade e se manifesta em comportamentos criminosos sem justificação.

Prevenir situações de exclusão sócio-económica implicará mostrar que os valores do estudo, do trabalho e da solidariedade se podem sobrepor ao imediatismo do consumo e à sua concretização por meios não lícitos.

Destaco como um bom exemplo o que a EPIS – Associação Empresários pela Inclusão Social – tem vindo a desenvolver em Portugal com jovens de comunidades desfavorecidas.

A iniciativa de premiar com bolsas alunos carenciados que conseguem sair do patamar dos maus resultados – “As Bolsas Sociais Escolas de Futuro”; a iniciativa “Rota das Vocações” que mostrou o país, empresas e instituições nacionais, ao longo de uma semana, a jovens em risco de insucesso, fortalecendo a ligação destes alunos a quadros empresariais que os acompanham; e outras iniciativas que serão desenvolvidas nos próximos tempos com o enfoque na formação de líderes em comunidades carenciadas que pautem o seu comportamento pelo bom desempenho escolar, pelo gosto pelo trabalho, pela solidariedade, e que serão, para isso, apoiados e incentivados e, por isso, recompensados.

Sem querer tornar simples o que não o é, este é um caminho que vale a pena. Para os destinatários e para todos nós.

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