Ginástica para o cérebro

Elsa Ligeiro

Nas suas férias leia. Em papel ou em suporte digital, leia. À beira do mar, junto à piscina, na praia fluvial, na esplanada do largo ou da praça, no pátio junto ao limoeiro, leia. Romance, ensaio, poesia, banda desenhada, jornais, revistas, o que quiser, mas leia.

Está provado: não há actividade mais saudável para eliminar as gorduras do cérebro. E, de entre todos os livros disponíveis, há uns que ajudam mais que outros.

Aqui ficam duas sugestões.

Os Meus Sentimentos, de Dulce Maria Cardoso, é um dos mais importantes romances escritos em Portugal, já no século XXI.

Narra a vida e morte de Violeta, uma mulher de inúmeras histórias, todas elas pouco exemplares, num romance extraordinário onde a maternidade e a paternidade marcam o drama e todos os sentimentos.

É também um inteligente manual de guerra (familiar, mas também colonial) com o silêncio e a dissimulação como armas devastadoras. Inesquecível por muitos, muitos anos.

Dulce Maria Cardoso tem ainda publicados, e disponíveis, os romances: Campo de Sangue; e O Chão dos Pardais, todos nas Edições ASA.

Poesia Completa, do brasileiro Manoel de Barros, acaba de sair na Caminho e é uma grande viagem às singularidades da língua portuguesa.

Mas atenção: a Poesia de Manoel de Barros não é para principiantes.

Mestre na criação de palavras (das que não sobrevivem no dicionário oficial), o brasileiro revela-nos, com inteligência e arte, novos substantivos.

Aparentemente leve, tem o peso do chumbo para os que se mantêm imunes à poesia e ao seu poder singular. Difícil, sim, mas incontornável para cérebros em laboração contínua. Mesmo em férias.

Para quem gosta mais de filmes, passe o Verão com O Sangue, de Pedro Costa, numa edição em dvd, da Midas, com alguns extras que vale a pena ver, como as 13 fotografias de Paulo Nozolino (uma parceria que se aplaude).

Uma oportunidade também para rever o actor, recentemente desaparecido, Pedro Hestnes.

Difícil é sintetizar a história de O Sangue, tal o horizonte que se pode antever neste primeiro filme de Pedro Costa. Um filme que é um Olá e um Adeus simultâneo ao cinema clássico, numa demonstração de irreverência e génio.

Vinte anos depois de O Sangue, a singular presença de Pedro Costa no cinema português prova que a sétima arte ainda não atingiu os seus limites.

Para ver, ou rever, nas férias.

Bons exercícios.

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