Final de congresso

Aires Antunes Diniz

Em S. Luís de Potosi, México, no final dos intensos trabalhos do ISCHE (International Standing Conference for the History of Education) 33, que duraram 4 dias, entrei num restaurante na Praça dos Fundadores, onde me encontrei com outros companheiros de Congresso. Acabámos por juntar muitas mesas e lá ficámos a conversar. Uma colega inglesa ficou junto a mim e acabou por me contar, como desabafo, que a filha tinha um namorado português, estudante de uma universidade inglesa, que não estudava e gastava o tempo num dolce fare niente. Fazia na estranja uma vida preguiçosa que, infelizmente, vemos por cá em demasiados jovens portugueses, mostrando socialmente uma preocupante abulia doentia. Mas, não foi sempre assim pois um estudante na primeira década do século XX, como muitos outros, afirmou: “Não vivi, em Coimbra, a boémia dos gozadores académicos.” 1
Como à frente estava uma colega grega e o marido, um agregado cultural, como uma jovem mexicana designou os acompanhantes dos conferencistas, tivemos uma curta e algo esclarecedora conversa sobre a crise grega, onde, mais uma vez, os povos pagam as disfunções do capitalismo indígena. Eu paguei estas informações explicando como os funcionários públicos portugueses a pagam duplamente através dos impostos e dos cortes salariais. Olhavam-nos perplexos os nossos colegas mexicanos que não sabem o que é pagar para os ricos ficarem mais ricos. Contudo, ao lado, os EUA corriam o risco de um “default”, sendo este debatido acesamente entre republicanos e democratas. Mas, uma amiga argentina, no sábado dia 30 de Julho à saída de S. Luís de Potosi, ainda não sabia da novidade. Estava ainda a pensar que só a Argentina tinha dessas desgraças.
Quando passei nos Estados Unidos, os jornais falavam do “default” e das negociações entre os dois partidos que dominam o Estado Americano, mas já tudo anunciava o acordo. Só não se sabia os seus contornos económicos e sociais. Mas, em Houston o grande problema era o fim do programa espacial americano, o resultado perverso do fim da competição entre os EUA e a URSS. Solidarizei-me por isso com os houstonianos comprando numa loja do aeroporto uma t-shirt com que protestam contra o seu fim e para me esclarecer mais comprei uma publicação do jornal USA Today.
De facto, mais uma vez os bancos em crise por loucura própria sobrevivem à custa da ciência e da cultura, tornando mais penoso alcançar o sonho e a utopia, provocando só retrocesso civilizacional e muito desemprego.
Tudo me confirma que a economia global precisa com urgência de uma política mais humana, uma necessidade não só de Portugal, mas de todos os Povos.

1Joaquim Diogo Correia – Álbum de Saudades – Notas do meu roteiro, Castelo Branco, 1958

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