Esperanças frustradas

Aires Antunes Diniz

Aproximase agora o tempo de aulas e o mês de Agosto foi fértil em notícias sobre educação, avaliação e colocação de professores e novas oportunidades, obrigando a que o descanso dos professores e dos seus sindicatos fosse menos efectivo. Mas, a Educação foi desde sempre a ambição dos pais para os filhos que muitas vezes não os acompanham nestas esperanças de uma vida melhor. Antes e casarem, dizem os pais até muitas vezes às companheiras com quem namoram: “Então! Quando vierem n ’os filhos …! Há-de ser o que Deus quiser! Hão-de se criar! Hemos de fazê-los amigos dos pais, do trabalho, da religião! A esse tempo já eu hei-de ser um ricaço! Há-de ir a Coimbra algum d’ eles!” Contudo, os tempos que correm, este investimento pessoal e financeiro desemboca demasiadas vezes em barreiras de empregabilidade, que frustram sonhos e tornam difíceis os tempos dos jovens e de seus pais.

Como podemos ver nos telejornais, este problema torna explosivo o ambiente social em cidades como Londres e gera movimentos sociais organizados, como ocorreu em Espanha através de uma marcha, que convergiu para Madrid no final de Julho, lutando contra o desemprego que é de 20% e contra a corrupção da classe política. Antes já em Portugal tinha havido uma manifestação da geração à rasca no dia 12 de Março que foi polinucleada, dando um retrato nítido do que se passa no país. Depois disso tudo se complicou quando Portugal, através de José Sócrates, pediu o resgate da dívida soberana sem origem conhecida. Agora juntou-se ao clube a Itália através da política de Berlusconi, mas tudo já era esperado por quem lê o “The Economist” e sabe do tempo que o bom vivant perde nos tribunais, descuidando os interesses do seu país. Também Obama se lançou nos braços dos agiotas através de resgates de bancos e seguradoras que Wall Street não foi capaz de controlar, mostrando as muitas fragilidades do mercado de capitais e das empresas de rating, que fazem e desfazem mercados sem que saibamos que lógica as move. Também, e infelizmente, as empresas que informam e avisam os investidores parecem movidas pelo direito e dever de informar com a seriedade que o mercado precisa.

Por fim, neste processo ninguém sabe quem falhou e os povos são chamados a ser o último recurso para pagar a crise, cuja causa nenhum dos actores principais parece capaz de diagnosticar. O problema é que os causadores têm poder suficiente para alijar culpas e como os lesados estão cada vez mais na rua, há a esperança de solução humanizada para que os homens comuns não sejam obrigados a sacrifícios infindáveis. E, finalmente, já que pagam, devem reivindicar como todos os indignados uma nova democracia.

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