Crise e emigração fazem aumentar número de animais abandonados

As dificuldades financeiras das famílias e a necessidade de emigrar têm contribuído para o aumento de animais abandonados, tendo o Cantinho de Viseu chegado a recolher 20 num dia, lamentou hoje a diretora desta associação, Ana Maria Vaz.

“Deparamo-nos constantemente com animais amarrados à nossa porta e com pessoas a implorarem-nos, a chorarem, para ficarmos com os seus cães porque gostam muito deles mas não os podem levar”, contou à agência Lusa.

O Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu acolhe neste momento 710 animais, sobretudo cães (apenas 60 são gatos), um número que representa o dobro da capacidade das instalações.

Segundo Ana Maria Vaz, “os animais estão a sofrer muito com os abandonos”, nomeadamente aqueles que “são deixados pelas serras fora ou em plenas autoestradas”.

Ainda que por mês sejam adotados “entre 30 a 40 animais, a maioria cães”, o número de recolhas “é sempre superior”.

Esta associação zoófila, que conta habitualmente com 12 a 14 voluntários, teve no ano passado 162 mil euros de despesas, entre alimentação, material veterinário, salários de quatro funcionários e gastos fixos (como 3.000 euros de gás e 2.900 de eletricidade).

Como a única verba fixa que recebe é o subsídio de 25 mil euros por ano atribuído pela Câmara de Viseu, os responsáveis do Cantinho têm de “fazer uma gestão ao cêntimo e andar sempre a pedinchar”, contou Ana Maria Vaz.

“São muitas despesas e nós próprios, os voluntários, contribuímos metendo cá dentro os nossos subsídios de férias e de Natal”, acrescentou.

Referiu que “a Fundação Belmiro de Azevedo é a única entidade que oferece ao Cantinho os produtos que não vende, como carnes e sacos de ração, arroz e massa danificados”.

Por dia, são dados aos animais 200 quilos de ração e 10 quilos de massa e arroz com carne.

Segundo a responsável, o Cantinho tem 1.800 sócios, mas só cerca de 500 com a quota anual de 15 euros em dia. As campanhas são também uma ajuda, nomeadamente a realizada todos os anos no verão, durante as cinco semanas da Feira de S. Mateus.

“Durante o inverno fazemos vários artigos para depois vender durante a feira e angariar algum dinheiro”, contou.

Além da Feira de S. Mateus, que tem início dia 14, irá realizar-se uma outra campanha entre os dias 13 e 15, em Santa Comba Dão, integrada na programação das Festas da Cidade.

Nestes dois locais, o Cantinho vai também tentar sensibilizar para o seu novo projeto, a construção de raiz de uma clínica veterinária sem fins lucrativos, que foi aprovado pela Câmara mas não avança por falta de meios. Ana Maria Vaz explicou que “são precisos 150 mil euros para arrancar com a obra” ou então materiais de construção.

“Desde o princípio do ano que andamos a tentar arranjar dinheiro, mas não conseguimos. Nós até preferimos que nos deem materiais, porque para a mão de obra vamos tendo ajuda”, afirmou, explicando o orçamento mais barato que conseguiram de um empreiteiro foi de 260 mil euros.

A clínica será destinada apenas a “animais cujos donos não tenham possibilidades económicas, animais abandonados, animais da associação e animais dos sócios”.

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