A crise europeia e as agências de rating

Luís Vilar

A Europa, através de Governos Sociais-democratas e Democratas Cristãos, iniciou um processo de liberalização de fronteiras para alguns dos seus produtos, tendo evoluído para uma Europa sem fronteiras e, posteriormente, para a moeda única.

A verdade é que, sempre esteve no espírito destes Governos, uma Europa dos Cidadãos, com uma forte componente política – em que quero destacar Jacques Delors -, defendendo-se, assim, dos perigos das economias planificadas dos Países de Leste e das economias liberais Americanas.

Temos até o episódio da morte de Olaf Palme (Primeiro Ministro sueco) cujo autor, ou autores, nunca foram descobertos.

Os grandes especuladores financeiros, como sempre, rapidamente compreenderam que tinham de mudar de estratégia económica e financeira, uma vez que a Europa, ao nível de mercado global, iria ficar uma enorme potência, não só pelo número de pessoas, mas também pela tecnologia que possuía. Para estes especuladores financeiros só o liberalismo puro e duro é que permite lucros chorudos, à custa das populações em todo o mundo.

Durante algum tempo, ainda se assistiu ao relacionamento informal entre as maiores economias, tanto mais que a ordem mundial continuava a ser a chamada “guerra fria”.

Com a queda do muro de Berlim, e sem qualquer justificação para manter as guerras de cariz exclusivamente económico, os gigantes financeiros introduziram o conceito da globalização das economias e, ao mesmo tempo, retomou-se o espírito da guerra que se tinha perdido desde o Vietname.

Verdade seja dita que a Europa perdeu os seus grandes líderes e embarcou na globalização selvagem dos mercados que possibilitaram, uma vez mais, o enriquecimento dos especuladores financeiros, até ao momento em que a guerra do Iraque, melhor dizendo, o pós-guerra no Iraque, não permitiu mais continuar a sugar a própria população americana.

Em 2008, as agências de rating continuavam a dar notas positivas a firmas do sector financeiro nos EUA, acabando tudo com a injecção de USD dos cofres federais dos Estados Unidos. No meio de tudo isto, a Europa aceitou a “inevitabilidade” da globalização controlada, exclusivamente, pelos especuladores mundiais, onde o Poder Económico se sobrepõe ao Poder Político.

Na minha opinião, a globalização tem de ser regulada pelos Estados Europeus e não pelo Poder Económico como, actualmente, se verifica.

Na minha opinião, não se justifica existirem estas agências de notação financeira de Países soberanos, uma vez que já existem Bancos Centrais em cada País e um Banco Central Europeu. Mais, existem outros organismos nos Estados Membros para controlo das regras de cada um deles, como é o exemplo da CMVM, em Portugal.

Na minha opinião, a Europa dos Cidadãos está a demorar, depois da introdução do euro, a criar mecanismos europeus ao nível económico e financeiro, uma vez que existem realidades diferentes, quer na União Europeia, quer na Zona Euro.

Na minha opinião, a Europa não pode cair na estratégia bélica que faz enriquecer os especuladores.

É de importância fundamental, para a Europa, que exista uma melhor redistribuição da riqueza, que se torne mais humanista, sob pena de não fazer sentido uma União Europeia e muito menos a Zona Euro.

Já depois de ter escrito este artigo, li a entrevista de Jacques Delors que subscrevo na íntegra.

A Europa só faz sentido se for para os Cidadãos.

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