O maior recanto verde de Coimbra tem 65 espécies de aves

Canto e verso do estudante, o Choupal é o maior recanto verde de Coimbra, que nos dias soalheiros convida ao passeio, ao piquenique, à prática desportiva ou ao passar das horas a ouvir as suas 65 espécies de aves.

Com 79 hectares, a fazer companhia ao Rio Mondego ao longo de dois quilómetros, a Mata Nacional do Choupal é, há um século, espaço de lazer para gerações.

A sua origem está associada às obras de regularização das cheias do Mondego e ao massivo plantio de choupos iniciado em 1791, por determinação do engenheiro Padre Estevão Cabral, para fixar as terras.

A proximidade ao rio e o atravessamento por vários canais que ajudavam a travar a impetuosidade ocasional do cognominado “basófias” tornaram-no habitáculo de ricas flora, autóctone e exótica, e fauna, onde sobressaem as 65 espécies de aves.

João Silva, responsável do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) pela gestão da mata, afirma que entre as suas singularidades sobressai a coleção de espécies botânicas, em que se inclui um exemplar de podocarpus com mais de 200 anos, uma espécie arbórea muito rara.

Além de ser um espaço de grande diversidade biológica, que beneficia também de uma zona húmida de três hectares no seu interior, é a “porta de entrada” para a rica biodiversidade do Baixo Mondego.

São múltiplos os elementos que cativam os visitantes, incluindo as frondosas árvores centenárias, em que o choupo negro (populus nigra) é espécie matricial, ladeadas por plantas rasteiras multicolores no tempo da floração. Apreciar as arbóreas mais imponentes é como fazer uma viagem de circum-navegação pelas latitudes das suas origens, da América do Sul à Austrália, passando pelo Japão, Himalaias, Irão, Cáucaso, Turquia, Mediterrâneo e África.

Os amantes da natureza podem apreciar a “sinfonia multicultural” das 65 espécies de aves que aí habitam ou apenas nidificam e migram para outras paragens, como o continente africano. Aí encontram-se desde os rouxinóis (Acrocephalus scirpaceus) e guarda-rios (Alcedo atthis) até à garça real (ardea cinerea), águias-d´asa-redonda (buteo buteo) ou milhafres-pretos (milvus migrans), estes considerados um dos ícones da mata, por terem aí uma das maiores colónias urbanas de nidificação na Europa.

A entrada na mata é feita por uma alameda central, que atravessa cursos de água por pontes de madeira crua, e de onde se ramificam caminhos, com pequenas clareiras, desembocando num central parque de merendas.

Este apresenta várias opções de recreio, de ténis, badminton, basquetebol, vólei, um serpenteante circuito de manutenção de vários quilómetros, percursos equestres e o hipódromo.

Imponente desenho na paisagem urbana de Coimbra, o Choupal é também uma marca simbólica e artística que ao longo de décadas é inspirador da literatura e da música. Amália Rodrigues e Zeca Afonso cantaram-no e até o jornalista Vítor Santos lhe atribuiu uma referência relacionado com o desporto ao apelidar os futebolistas da Académica de “Pardalitos do Choupal” numa crónica à vitória por 3-1 sobre o Benfica, na época de 1961/62.

3 Comments

  1. Eduardo Cordeiro says:

    Choupal estás tão abandonado.Se estivesses noutro País por exemplo Holanda.Alemanha,França etc. os governantes desses países fariam de ti um verdadeiro paraíso.Com as tuas condições naturais fantásticas dá pena o abandono a que chegaste por incúria dos políticos nacionais e regionais

  2. Esta noticia parece um panfleto turístico distribuido no Turismo, com as canções do Zeca e os "pardalitos do Choupal", no ramalhete. Está lindo e é de vir as lágrimas aos olhos. E que tal se agora fizessem uma reportagem sobre o estado do Choupal, responsabilidades, etc?

  3. E quando se encontra um milhafre debilitado na mata do choupal numa manhã de domingo e ninguém consegue cuidar da ave, como aconteceu no dia 31/7/2011? O que valeu foi a preciosa ajuda do dono do Bar do Choupal, depois de se contactar, em vão, a GNR, 112, 117, etc..

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