Falar claro

Luís Vilar

O PS já tem Secretário-Geral que, tal como se esperava, foi eleito António José Seguro com uma diferença bem expressiva de votos. Contente com o resultado, não posso deixar de dizer que no PS, pela elevação do debate interno, todos os militantes, sem excepção, estão de parabéns.

A campanha interna correu com toda a normalidade, com excepções pontuais que só vieram confirmar a regra. O PS é um grande partido popular, defensor de ideários humanistas em que as pessoas estão sempre primeiro.

Também queria referir que se fi zeram muitas análises políticas, mas na parte que me toca, limitei-me a apoiar António José Seguro e uma lista de delegados ao Congresso, na minha secção, Sto. António dos Olivais.

Apesar de tudo, mantenho a posição que venho manifestando desde 2008, quando abandonei cargos políticopartidários: é necessário que, internamente, os militantes sejam ouvidos nas decisões dos órgãos nacionais, distritais, concelhios e das secções, sobre os mais variados temas.

É chegado o momento de acabar com decisões onde só as “elites” têm assento.

É chegado o momento de acabar com as ambiguidades de posicionamento que provocam o mal-estar entre camaradas com a consequente intriga e geradora de divisões internas superficiais.

Espero que do Congresso Nacional saia uma Unidade na Acção de todos os Socialistas e sei que António José Seguro, conhecedor profundo da ciência política, tudo fará para Unir o PS.

Fazendo agora uma análise do que se passa na vida das famílias portuguesas, na coerência dos órgãos de soberania e dos partidos políticos e na actuação do actual governo nos primeiros dias de governação, importa falar claro:

1.As famílias portuguesas viram agravadas as suas condições de vida por medidas governamentais que foram além do memorando assinado com a Troika, através do imposto extraordinário com reflexos imediatos no subsídio de Natal;

2.O Sr. Presidente da República, que nunca se referiu a questões de governação, descobriu agora aquilo que era uma realidade há mais de quase 1 ano: o euro está demasiado forte em relação ao dólar e que se assiste a um ataque à zona euro por parte das agências de rating que têm por trás os especuladores financeiros;

3.A cambalhota que os partidos políticos introduziram nas suas posições oficiais com honrosa excepção para o PCP e com o sentido de Estado para o PS, que pelo facto de estar na oposição não alterou a sua posição. Refiro-me exactamente aos ataques que os especuladores financeiros tentam fazer, de forma selvagem, à União Europeia e em particular à zona euro;

4.A falta de medidas governamentais para o relançamento da economia portuguesa e para estancar o desemprego, sem as quais é impensável pensar pagar dívidas e, ainda pior, agrava os rendimentos das famílias mais desfavorecidas, criando até mais situações de pobreza:

5.A falta de redução de vencimentos milionários no sector público e/ou empresarial público. Se é verdade que o governo anterior não o fez, não é menos verdade que os partidos que compõem o actual governo chamaram a atenção, na campanha eleitoral, para esse facto e agora nada fazem quando deveria ser uma das primeiras medidas.

Não é legítimo nem ético que se ponham portugueses que ganham 500 euros por mês a pagar a crise e, paralelamente, não se faça uma redução de vencimentos milionários do sector público, pondo como tecto salarial o vencimento do mais alto magistrado de Portugal: o Presidente da República.

Por hoje, fi co-me por aqui, mas há outras questões que precisam de ser denunciadas e/ou aplaudidas, sempre com o sentido de responsabilidade, apresentando propostas alternativas.

Agora, com uma nova liderança no PS, os portugueses saberão que têm mais esperança na defesa dos seus interesses contra esta onda Liberal, que já está a ir mais longe do que nos foi exigido.

 

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