Brito Xavier numa rua sem saída

Luís Santarino

Dia 04 de Maio de 2011.…desculpe Xavier, mas não consegui ir “a uma coisa” que deveria ser a inauguração de uma rua.

– Fiz mal? Então porquê?

– Ia-se divertir “à tripa forra”! Se soubesse o que eu me diverti!

– Então porquê?

– Socialistas… poucos mas, militantes do PS, alguns!

– Não me diga.

– Digo, digo! Mas o que mais me comoveu foi os elogios que dirigiram. Foi de “ir às lágrimas”! Mas também lhe digo que, com o seu “feitiozinho de merda” era capaz de se chatear. Por isso, ainda bem que não foi!

– Começo a ficar arrependido. Mas sabe o que mais me chateia? É que a sua rua não tem saída. C’um caraças! Quem terá sido a “inteligência parda” que se lembrou de tal coisa? É que, na Cova da Moura, no Seixal na “rive gauche” e até mesmo na Amadora – tudo lugares “do mais fino requinte” – uma rua sem saída, pode tomar os nomes de… “prolongamento da rua fulano de tal”, ou “rua projectada” a…!!! Fica a saber que você não foi o único – e a continuar a assim não será o último – a quem a memória não foi respeitada. Há outros, alguns outros, como o Professor Alberto Martins a que atribuíram uma quelha de 30 metros. E do “Pintanas”, velho boémio e grande figura de Coimbra, amigo de muitas gerações de estudantes, ainda ninguém se lembrou. Nem sei mesmo porque o estou a fazer! Ah, já me lembro, quando a coisa melhorar, noutra “encarnação”, ser-vos-á feita justiça!

– Deixe lá. Passámos bons momentos. Discutimos eleições. Ganhámos e perdemos. Nunca ficou ressentimento ou mágoa. A consideração e amizade que mantivemos, muitos, chega-me e sobra-me!

– Lá está você com essa conversa. Sempre o mesmo. Esta coisa está a bater no fundo. Está tão mau, tão mau, tão mau, que o PS já se regozija por terem dado o seu nome a “um prolongamento! Você é de Coimbra… “não veio na cheia!

– Numa coisa estivemos sempre de acordo; viver no meio de cretinos e imbecis não é assim tão mau. Faz parte da vida!

– Pois faz Xavier, mas cansa…cansa que se farta!

– É bem feito, mesmo muito bem feito. Eu sempre lhe disse para não lhes dar importância, não replicar. Mantêm-se como são e nada os fará mudar. É do berço, é do berço! Mas você insiste, insiste…que raio, pare lá com isso! Ainda não percebeu que, mesmo usando sapatos, “o pé foge-lhes sempre para o chinelo”?

– Isso é duro, muito duro. Já me tinha dito, já me tinha dito.

– Duro que não duro, é assim. Convença-se homem, convença-se!

– Mas não vou desistir. Vão ter de me gramar. Assim Deus me dê vida e saúde, como diria a minha Mãe. Deixo – o com o elogio do actual Presidente da Câmara: “orgulho da cidade em ter contado com um Brito Xavier, cidadão exemplar e político íntegro que lutava e defendia as causas e valores em que acreditava”. Barbosa de Melo!

Não foi, mas poderia ter sido, tivesse eu o dom de falar com todos os meus amigos que já partiram, uma conversa animada. No Atenas ou no Capri, ao sol ou à chuva. Em qualquer lugar. Porque qualquer lugar é bom para uma boa conversa.

Até um dia Amigo! Até um dia Amigos!

 

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