Município de Penacova recusa mini-hídrica no Mondego

O presidente da Câmara Municipal de Penacova, Humberto Oliveira, defendeu hoje que a construção de uma mini-hídrica no rio Mondego deve ser travada para evitar danos ambientais e económicos para a região.

Em declarações à agência Lusa, o autarca socialista lembrou que aquela infraestrutura virá inutilizar o efeito de uma escada de peixe que está a ser construída junto ao açude ponte de Coimbra, alguns quilómetros a jusante de Penacova.

Investimento na ordem dos 3,5 milhões de euros, a escada, cujas obras decorrem ainda na margem esquerda do Mondego, visa assegurar a passagem da lampreia e vários peixes migradores.

“Construir a mini hídrica seria colocar outra barreira mais acima”, disse Humberto Oliveira, que na sexta-feira, às 21:00, na Foz do Caneiro, vai participar numa sessão de esclarecimento da população.

A sessão é promovida pela Plataforma Mondego Vivo, que contesta a construção da mini-hídrica. “Um projeto destes tem impactos muito negativos para o concelho de Penacova”, sublinhou o presidente da Câmara. Humberto Oliveira realçou a importância da lampreia na gastronomia local, atraindo milhares de pessoas aos restaurantes do concelho nesta época do ano.

Se a mini hídrica avançar, “as descidas de canoa do rio Mondego serão um produto turístico em vias de extinção”, disse. Esta semana, o deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza, eleito por Coimbra, esteve reunido com responsáveis da Plataforma e com Humberto Oliveira, para analisar “os potenciais impactos ambientais e económicos” do projeto.

“Esta infraestrutura anulará o impacto de um investimento de 3,5 milhões de euros numa escada para a passagem de peixes migradores em fase final de construção”, refere uma nota do BE de Coimbra.

A Plataforma Mondego Vivo promove no dia 1 de maio uma descida do rio Mondego em canoa. “Queremos reunir um milhar de pessoas nesta descida de contestação”, disse à Lusa Paulo Miguel Silva, daquele movimento. A Mondego Vivo integra a Câmara de Penacova, juntas de freguesia, a Confraria da Lampreia, empresas de animação turística, restaurantes, coletividades e associações ambientais.

Uma fonte da Administração da Região Hidrográfica do Centro disse esta quinta-feira (7) que “estão previstos mecanismos legais” que garantem os direitos dos cidadãos, como a avaliação de impacte ambiental do projeto. No âmbito da participação pública, “serão apresentados e ponderados todos os fatores relevantes para a tomada da decisão mais adequada, tendo em atenção os aspetos ambientais, sociais e económicos relevantes”.

“O projeto, ainda em elaboração, equacionará soluções técnicas que possibilitem a permeabilidade dos rios no que respeita à ictiofauna e às atividades recreativas e desportivas presentes nos troços dos rios e não ponham em causa outros investimentos”, como a escada de peixes de Coimbra, adianta a fonte numa nota enviada à Lusa.

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