Câmara de Leiria admite lacunas no canil municipal mas nega maus-tratos a animais
A câmara de Leiria admitiu esta sexta-feira (25) a existência de lacunas no canil municipal, que não se encontra licenciado, mas negou a ocorrência de maus-tratos a animais no espaço denunciadas pela Associação Zoófila de Leiria (AZL).
Numa conferência de imprensa, o presidente da autarquia, Raul Castro, explicou que na sequência de tais denúncias técnicos da Direção-Geral de Veterinária estiveram no espaço, cuja ampliação admitiu ser necessária. O autarca afirmou que o respetivo relatório conclui que “todos os animais presentes se apresentavam em boa condição corporal (…), não havendo sinais de quaisquer maus-tratos”, embora a estrutura e os equipamentos não permitam aos funcionários “exercer a sua actividade em completo cumprimento pelos requisitos legais exigíveis”.
Ainda assim, “é percetível a preocupação em proporcionar aos animais o melhor possível, dentro das limitações”, refere o documento, citado por Raul Castro. Segundo o autarca, os mesmos técnicos constataram “a existência de vários animais à solta e presos à corda, indiciando uma gestão não adequada, quer dos espaços, quer dos animais” nas instalações da responsabilidade da AZL contíguas ao canil
Raul Castro advertiu que na informação que anda a circular “algumas fotos não correspondem a animais que alguma vez estiveram alojados no canil” e assegurou o “cumprimento da lei” no funcionamento do espaço, cujo licenciamento está em curso. Repudiando a “campanha” da associação, com quem a autarquia estabeleceu um protocolo em 2000 que está a ser avaliado, o responsável lamentou, também, a carta da Fundação Brigitte Bardot, em que apelava para que fossem tomadas medidas “imediatas” para pôr fim aos alegados maus-tratos, sem que tivesse feito uma consulta prévia à autarquia. “Estamos disponíveis para mostrar o canil”, declarou.
Já o veterinário municipal, Pedro Nogueira, acrescentou que as lacunas se prendem com a ausência de “enfermaria, maternidade ou gabinete decente para o veterinário”, assegurando que o “canil não está a abarrotar de cães” e que “pode ser licenciado”. De acordo com dados da autarquia, em 2007 deram entrada no canil municipal 664 animais (378 entregues pelos donos), tendo sido abatidos 421. Em 2010, chegaram ao canil 1365 animais, 886 dos quais enviados pelos proprietários, e foram abatidos 832.
Entretanto, a AZL, que a Lusa tentou contactar nessa tarde, colocou na rede social Facebook um abaixo-assinado para obter a marcação de uma audiência com o presidente da autarquia para apresentar provas sobre os supostos maus-tratos e garantir que os responsáveis pelos sejam “punidos e afastados”.
O presidente da câmara fez saber que “está, como sempre esteve, disponível para reunir com a associação para debater este assunto”. O Bloco de Esquerda pediu também explicações ao Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas sobre a situação do canil de Leiria.













