UGT/Coimbra será o que os sindicatos quiserem

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O que ganharam os sindicatos com a constituição da UGT/Coimbra?

Os sindicatos ganharam, na medida em que se abriu uma verdadeira possibilidade de articulação entre si. Foi, aliás, este o ponto que referi, na minha intervenção, no Conselho Geral da UGT/Coimbra, a 20 de Dezembro último. Os sindicatos são, na sua maioria, delegações distritais ou regionais, que existem e funcionam em Coimbra há dezenas de anos, mas nunca tiveram qualquer articulação. Agora, não é assim e o contacto entre os dirigentes permite-lhes, de forma regular, dar conta das atividades previstas e realizadas, trocar experiências.

A greve geral foi uma “prova de fogo”?

No caso da greve geral, é claro que toda a programação envolveu um trabalho conjunto da UGT/Coimbra, no sentido de uma maior mobilização. E a verdade é que o desempenho foi reconhecido, em reunião do secretariado nacional, que fez questão de endereçar, por escrito, os parabéns a Coimbra.

Como funciona a união?

A nossa opção foi, desde o início, no sentido de procurar uma política alargada de consensos, para que todos os sindicatos e os dirigentes possam ter condições de intervenção iguais e que nunca se sintam menosprezados ou menorizados.

Qual é a vantagem de tanto consenso?

Vejamos: a UGT/Coimbra é e deverá sempre ser o que os seus sindicatos quiserem. Mais: o trabalho sindical é feito nos e pelos sindicatos e devem ser eles a solicitar a intervenção da união, como e quando quiserem.

Quais têm sido as reações dos principais dirigentes?

Eu penso que as reações apenas se podem sentir quando são expressas em palavras e atitudes. E, até aqui, todos os presidentes dos sindicatos, sem exceção, têm testemunhado a mais-valia da UGT/Coimbra, pela visibilidade pública que conferiu a cada um e pela forma como tem potenciado e amplificado, a níveis superiores, as suas preocupações. A UGT é uma grande central sindical e tem de fazer valer o seu peso.

Até agora, porém, o que se nota é uma presença algo discreta da união, em termos públicos e, nomeadamente, na imprensa…

Eu penso que estar sempre a enviar comunicados para a comunicação social não é a melhor solução. Quanto mais não seja porque retira protagonismo aos sindicatos e até os próprios trabalhadores veriam com maus olhos estar a UGT/Coimbra a ultrapassar as organizações que os defendem e que lhes estão mais próximas.

Nota-se maior procura de sindicalização, nestes tempos de crise?

O que vivemos é um paradoxo. Por um lado, é bastante visível o desencanto dos trabalhadores face ao trabalho dos sindicatos, que eles quereriam ver, talvez, com uma voz, com uma presença pública mais poderosa e consequente, no sentido, por exemplo, de mudar algumas decisões do Governo e da Assembleia da República que eles entendem ser particularmente penalizadoras. Este desencanto tem, aliás, levado a alguma dessindicalização que, temos de admiti-lo, afeta de forma transversal todos os setores. Por outro lado, temos os trabalhadores mais jovens, que já ganham muito pouco e para quem abdicar de um por cento (que é a quota sindical) é incomportável. Ora, o paradoxo de que falei é que, apesar destas duas situações, a verdade é que se verifica a adesão de muitos trabalhadores que nunca tinham sido sindicalizados e, também, o regresso de alguns, mais antigos, que se tinham dessindicalizado.

Há uma questão geracional no sindicalismo?

Admito que sim. Os mais velhos são os que, apesar das críticas a um certo comodismo sindical, ainda acham que vale a pena estar inscrito, até porque sabem que, num momento de maior aperto, em que tenham necessidade de alguém que os defenda, só os sindicatos lhes podem valer. Já os mais jovens “padecem” de um problema mais complexo: é que são cada vez mais os que não querem ter nada a ver com a política e os políticos. E os sindicatos e os seus dirigentes pagam por isso, pois muitas vezes os mais novos tendem a catalogar-nos como políticos e, até, a pessoas e organizações ao serviço dos partidos.

É uma crítica que o atinge, a si?

Eu digo que, se alguma coisa temos feito, no Sindicato dos Bancários do Centro, é que não estamos claramente reféns de quaisquer interesses partidários. São os nossos associados e os seus problemas e preocupações que nos movem.

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